Mercado da Música. E eu com isso?

Eu ainda compro Cds. Confesso que em bem menor quantidade que há alguns anos atrás, mas ainda os compro. Fui colecionador meio que compulsivo de discos até 2001, quando comecei a ser mais seletivo com minhas aquisições. Só que, assim como acontece com quase todos os cidadãos com uma conexão de internet em casa, de uns anos para cá tenho mais baixado que comprado discos.

Acho aqui importante frisar uma coisa. Como vocês sabem eu sou músico, e a venda dos meus Cds ajuda um bocado no caminhar da minha banda / ministério, mas creio que os preços praticados pelas gravadoras (sejam elas cristãos ou não) é abusivo. Há Cds fabricados no Brasil, de artistas nacionais, que chegam a custar uma pequena fortuna. Isso, para um produto que supostamente é mídia para a divulgação da cultura é absurdo.

Mas ainda assim, creio que comprar Cds é um hábito de certa forma saudável. Se não for pesado ao seu bolso, ganha você, que adquire cultura e em alguns casos ganha o artista, que consegue sua renda justa (além de um admirador).

No Brasil, e em nossa cultura cristã atual, há um sem-número de artistas independentes que, mantendo o pé no chão, oferecem seus Cds por preços justos e acessíveis. Gente que algumas vezes conta apenas com a ajuda de uma distribuidora para que seu trabalho chegue a lugares onde ele mesmo ainda não pode chegar. E também há muitos que correm por fora, criando lojas online, perfis em redes sociais, entrando em contato direto com aqueles que curtem seu trabalho e contando com a ajuda de amigos e admiradores para fazer seu trabalho chegar a outros ouvidos.

Confesso que nessa situação eu me vejo um pouco romântico. Um pouco não, muito. Desde que gravei meu primeiro trabalho, enxerguei na distribuição gratuita do conteúdo digital não uma oportunidade (apenas), mas a chance de dar de volta algo que eu já havia recebido em grandes doses, uma espécie de tributo ao legado de música evangélica que eu havia recebido e adquirido ao longo de anos. Entendia que era uma oportunidade de fugir do padrão “prosperidade / má teologia” que de alguma forma deixamos que tomasse conta do nosso cancioneiro. Então, indo além desse pequeno ato, chegou um momento em que decidi que sempre que gravasse alguma coisa, entregaria isso de volta na forma de download gratuito. Mas sim, também com a opção da mídia física tradicional para aqueles que quisessem abençoar o trabalho.

De qualquer forma, não creio que este pensamento seja para todos, e nem creio que eu seja alguém melhor por pensar assim. Meus “heróis”, que não morreram de overdose, todos, vendem Cds. Os que não ganho (esse é o lado positivo de ser amigo de alguns de seus heróis) eu faço questão de comprar, por aqueles motivos que listei no início do texto: ganho eu, que adquiro cultura (e também bençãos, sim) e ganha o artista, que consegue sua renda.

Fico feliz que a maioria dos meus “heróis” sejam praticantes dos valores justos de suas obras, mas há uma tendência nisso: todos são independentes. Daí alguém pode dizer: “mas os Cds de gravadoras são mais caros pois os custos de marketing e produção estão envolvidos e tambézzzzzzzzzzzzzzzzzzzz”. Foi mal esse papo me deixou com sono e acabei dormindo no teclado. As gravadoras (e isso inclui as evangélicas) investem alto em seus lançamentos pois, em geral, o que elas lançam é lixo, e lixo que precisa ser vendido. Se lançassem música de qualidade, garanto que os investimentos com marketing seriam menores, pois coisa boa é passada adiante sem custo.

Mas, como nem tudo é perfeito, é claro que isso esbarra em outro problema: o fato de que nossa educação musical é feita pelos programas de auditório e pelas rádios FM. Mas isso é outro papo.

Eduardo Mano