
Na verdade, duas constantes. A primeira, ante de mais nada, é dizer que ninguém mais lê isso aqui. Tudo normal, segue o jogo. Escrevo mais para mim mesmo, e digo isso em todos os sentidos: desde os textos do blog às músicas que componho. É como aquela velha máxima da pregação: “a mensagem que sai do púlpito deve primeiro tocar o coração daquele que a preparou”. Não sei quem foi o primeiro a dizer isso, mas se alguém for usar essa frase aí entre aspas, pode dar rédito a mim mesmo.
A segunda constante é o tema de mudanças. E se você for a outros posts desse blog em que menciono mudanças, já sabe que me refiro a mudanças físicas, de um lugar para outro, geralmente das que custam caro e dão trabalho – para não falar das dores nas costas.
Diferente das outras vezes em que nos mudamos, o que tenho orado ao Senhor é o texto de Êxodo 33.15, “se a tua presença não for comigo, não nos faças sair deste lugar. Pois como se poderá saber que alcançamos favor diante de ti, eu e o teu povo?“.
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Eu queria ser uma pessoa muito santa, um cristão mesmo perfeito, mas tenho precisado dizer em voz alta e assumir alguns pecados, dentre eles o da inveja. E o estigma de “fracassado” que carrego há mais de década também não ajuda muito. Só que a inveja é míope, e vê até certa distância (ou melhor, vê apenas o que as redes socias mostram). E eu sei bem de miopia, pois sofro com ela desde os 8 anos. Nada vejo além de um palmo à minha frente sem meus óculos.
E é aqui que o tema de mudanças, o versículo em questão e meu pecado da inveja convergem. Tenho visto o muito por outras lentes há alguns anos, o que, junto a outros fatores, me levou à depressão (com a qual luto, faço uso de medicamentos e recebo apoio para o tratamento). Preciso mudar de óculos! Preciso enxergar mais longe, lembrar que corremos uma maratona e não os 100 metros rasos, e que nosso prêmio não será recebido neste mundo, que nem mesmo tem interesse pelo prêmio que nos é proposto.
Em meio ao cansaço que uma mudança traz ao corpo, sou forçado a lembrar que há caixas que não precisam ir conosco para o próximo passo. Podem ser jogadas no lixo, deixadas de lado, esquecidas para sempre. Alguns amigos nos têm animado, dizendo que Deus foi “especial conosco” a respeito desse novo momento em que entraremos. Eu não sei. Tenho andado incrédulo para algumas coisas, tal como Tomé, e preciso ver para crer. Mas o que importa é que Deus vá à nossa frente. Sem Ele, palácios viram casebres, coberturas viram barracos, reinos viram ruínas.
“Não te deixarei ir se me não abençoares”, disse Jacó ao Homem com quem lutou.
Não nos deixe, Senhor. Vá e habita conosco, até que nos chame para habitarmos junto a Ti.
