Dois Dedos de Teologia

Há uma semana atrás (ou algo assim) estive com Eline, Sarah e meus sogros em São Paulo para visitar meus cunhados. O que Deus nos reservava era estar na mesma cidade que Yago e Isa. Algumas mensagens de Whatsapp e pronto: agendamos um encontro.

Como Yago está no empenho de regravar tudo o que um dia fez parte do acervo do Dois Dedos de Teologia, aproveitamos que ele pregaria na Presbiteriana de Pinheiros e gravamos um vídeo por lá. Tem participação de minha filha Sarah, do Geolê, e também a comemoração pelos 5 anos do Webdocumentário Ministérios Fracassados. É… o tempo voa!

Sem mais delongas, eis o resultado deste encontro:

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Cuidado, Olhinho, com o que Vê

Nesta época em que a imagem prevalece como registro-verdade de momentos e fatos, é muito importante nós, como cristãos, guardarmos nossos olhos, mentes e corações do que vemos. E eu aqui não me refiro a imagens sensuais ou pornográficas. Estou falando mesmo das inúmeras fotos que vemos de igrejas em seus cultos dominicais.

Durante muitos anos eu fui um daqueles jovens deslumbrados com todo o movimento de adoração que nascia no Brasil e no mundo. Comprava CDs, traduzia músicas, juntava os amigos da igreja (e de outras igrejas) em bandas que ensaiavam à exaustão para tocar cover dos hits do momento. Jurava que isso ia dar em alguma coisa e, obviamente, estava errado, para a glória de Deus.

Em uma época de Orkut e blogs, era fácil ter acesso ao que as bandas que eu admirava estavam fazendo. Turnês fantásticas, amizades com outras bandas, lançamento de discos… tudo com muitas luzes, shows lotados, uma coisa impressionante. Eu, então no início dos meus 20 e poucos anos, já sabia como gastaria meus dias.

As imagens que eu via tinham sobre mim o poder de me fazer desejar aquilo para a minha vida e ao mesmo tempo traziam um peso depressivo, um prenúncio de que minha vida não seria daquele jeito. Eu cobiçava e murmurava por causa de fotos de bandas tocando em igrejas.

Eu sei, isso soa muito, muito ridículo. Mas o ponto é: eu tenho certeza de que existem hoje jovens vivendo desta mesma forma. Embora as plataformas tenham mudado (O Orkut nem existe mais), imagens deste tipo ainda deslumbram muitos jovens que têm o desejo de servir a Deus através da música ou da palavra. Eles seguem os perfis de Instagram de pastores, bandas, preletores, pseudo-celebridades (ou ainda, auto-intituladas celebridades) e imaginam quando terão uma agenda cheia como a deles, quando eles serão convidados a participar daquele mega-evento onde anualmente pagam uma pequena fortuna em inscrições, hospedagem, livros e CDs que provavelmente nem serão abertos, quanto mais lidos e ouvidos.

Amigo, é provável que você nunca tenha isso na sua vida.

Ao final de um domingo qualquer, quando as igrejas, ministérios, líderes e mais seja lá quem for terminam de carregar suas fotos no Instagram e no Facebook, sobem seus vídeos no Stories cheios de frases de efeito e stickers para que tudo fique über-cool, milhares e milhares de jovens vêem estas imagens e não sabem muito bem como lidar com elas. No vídeo onde uma multidão de jovens pula ao som de um novíssimo cântico, há aqueles que pensam que suas igrejas também deveriam ser assim. Naquela foto linda do pregador em pose assertiva com o microfone na mão, a luz certa (e o filtro exato) e as roupas caras da moda, muitos jovens se questionam quando terão fotos assim tiradas, quando pregarão em eventos cheios, e não apenas na congregação de sua igreja, onde se reúnem 30 pessoas no domingo à noite. Na foto da banda passando o som antes de um culto, jovens se imaginam tocando em eventos gigantescos, ao lado dos nomes mais famosos da atualidade. E veja, não necessariamente este seja um problema ou erro de quem posta, mas sim de quem vê.

Eu sei disso amigos, pois se eu não guardar meu coração, eu acabarei desejando estas mesmas coisas. Contas no Instagram, páginas no Facebook, nada disso é errado. Tirar fotos super legais e vídeos irados aos domingo, creio que também não seja errado. Eu mesmo tenho tais contas e posto fotos e vídeos. Mas tornar o serviço à Igreja algo com um fim em si mesmo (ou seja, a finalidade de participar de eventos, viajar, gravar CDs ou escrever livros é simplesmente ter um ministério) é errado. É tentar roubar a Glória de Deus, a quem todo serviço à Igreja se destina. A pregação, a adoração, missões, o aconselhamento, o discipulado, a classe de jovens, o berçário: tudo isso serve para a Glória de Deus.

Deus não divide sua glória com ninguém. Ele tem zelo por Sua glória. Quando trabalhamos para que esta glória seja louvada, não importa se pregamos para 30 ou para 3000. Não importa se estamos dirigindo o louvor em um grupo pequeno ou em uma igreja com 1000 pessoas. Quando reconhecemos que a glória é de Deus e quando nos empenhamos em bendizer Seu Nome, números têm pouca influência em nossa atitude.

A Ele toda glória!

Eduardo Mano

Reflexões pós sermão

No último domingo, preguei na igreja na qual congregamos, a Presbiteriana do Bairro Imperial, em São Cristóvão. O texto foi Lamentações 5.1-7. Foi um daqueles sermões pregados primeiro para mim mesmo. Dele, tirei três pontos de aplicação. Talvez a leitura do texto e as aplicações não sejam instantaneamente relacionáveis, pois… bem, teve um sermão inteiro entre ambos. Mas de qualquer forma, gostaria de deixar as aplicações aqui, ma esperança de abençoar alguém.

Deus está atento às nossas orações e petições. Ele ouve. Isso é diferente de termos uma resposta rápida ou mesmo qualquer resposta para as nossas petições. Mas em uma aplicação rápida, assim também funciona em nossas famílias. Não deixamos de amar nossos pais simplesmente por termos ouvido um não. Quanto mais a Deus.

Nossas aflições são momentâneas. Terão um fim. Algumas durarão dias, outras, meses, e ainda outras, anos. Para alguns, durarão todas as suas vidas. Mas certamente terão um fim, seja aqui nesta terra, seja no encontro com Cristo, nos céus. Essa perspectiva deveria guiar nossas vidas. Nosso encontro com Deus é certo, e Ele prometeu que na Cidade que preparou para nós, não haverá nem choro, nem dor, nem morte.

Mesmo na feiura do mundo após a queda, Deus mantém o controle de tudo. Ele está assentado em Seu alto e sublime trono. E é Ele mesmo que provê a graça necessária para vivermos neste mundo caído. Lembram-se de nossos pais, lá no jardim, após comerem do fruto? Deus manifestou sua graça a e misericórdia sobre eles já naquele momento. Em Gênesis 3.21, lemos que Deus lhes fez túnicas antes de lançá-los fora do Jardim. Se Deus tivesse prazer em simplesmente expulsá-los, Ele não teria agido desta forma. Sua Graça se manifesta neste mundo caído.

Que nossas vidas tenham sentido por esta Graça.

Que Ele nos abençoe.

Somente a Deus a Glória.

Quero Trazer à Memória

São 2h da manhã e não consigo dormir. Já passei por isso antes, embora por questões diferentes (assim espero). O fato é que a “vida” tem trazido não apenas limões, mas todo o hortifruti, e fazer com que tudo caminhe com certa tranquilidade não tem sido tarefa fácil. Alguns dias são melhores que outros, e infelizmente este é um dos piores. E o calor do Rio de Janeiro não ajuda.

No próximo domingo eu levarei a mensagem na Igreja onde temos congregado. O texto a ser pregado é o de Lamentações 5.1-7, mas o contexto me obriga a passar por Lamentações 3.21. “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança”.

Um dos exercícios que fiz neste início de madrugada foi ler algumas postagens antigas aqui do blog. Encontrei o post que escrevi no dia em que gravamos as faixas que comporiam o Canções para Grupos pequenos. Também encontrei uma postagem alusiva ao dia anterior à derrota do Fluminense para a LDU (na verdade o Flu ganhou a partida, mas não foi suficiente para reverter o resultado) na Final da Libertadores de 2008.

A vida é feita de momentos que, eventualmente, nos permitem enxergar o quadro todo. Mas enquanto vivenciamos estes momentos, o que vemos é a parte. Nem sempre a parte é agradável. Por exemplo: encontrei uma postagem do dia em que fui demitido de um antigo emprego. Por outro lado, encontrei, a postagem do dia em que entrei no meu atual emprego (18 de outubro de 2008).

Seis meses separaram as duas datas, e muita coisa aconteceu no meio tempo. Momentos. O grande quadro foi visto apenas depois. O que quero dizer é: enquanto peregrinos, nossa função é rumar à cidade que nos foi prometida. E esta caminhada, amigo, leva tempo. Para alguns, mais tempo do que para outros, mas ainda assim, é tempo. Por isso é importante ter em mente o que pode trazer esperança.

Lamentações 3 é um bom companheiro nestas horas da madrugada, sozinho. Em determinado momento, o texto nos diz assim:

Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.
Que se assente ele, sozinho, e fique calado, porquanto Deus o pôs sobre ele.
Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.
Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.
Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
Embora entristeça a alguém, contudo terá compaixão segundo a grandeza da sua misericórdia.
Lamentações 3:27-32

Que coisa mais doida! Parece até que o texto está falando comigo!

E quem disse que não está?

Preciso deste exercício: trazer à memória o que pode dar esperança. Lembrar que Deus tem o controle sobre tudo, inclusive sobre qualquer jugo. Saber que Ele terá compaixão segundo a sua misericórdia. E lembrar que Cristo, o homem de dores, caminha comigo em qualquer sofrimento, pois Ele mesmo experimentou isso aqui.

Se a vida te dá um hortifruti, faça uma salada de frutas. Tá complicado, e quase impossível, administrar tudo o que está vindo, mas a Palavra de Deus me lembra que todas as coisas, mesmo as ruins, cooperam para o bem dos que amam a Deus.

E como um grande amigo escreveu há muitos anos atrás, “no fim das contas, tudo se explica, tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem”.

“Quando se vê pelo lado certo, todas as cores da minha vida dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro”.

A Ele toda a honra, mesmo que em lágrimas.

Eduardo Mano

Lançamento – Ergo Meus Olhos

Bem amigos… eis que chegou o dia. Hoje é o lançamento do meu novo disco, Ergo Meus Olhos. .

Vocês já sabem o roteiro. Tem download grátis do disco? Tem. Está nas plataformas de streaming? Está*. Tem encarte maneiro com letras, fotos e textos? Claro! Tem hino? Sim! Eu canto com minha esposa? Óbvio!

https://open.spotify.com/embed/album/77D4XKUfKGxpOWqjR05KSr

Algumas palavras são necessárias.

Este é meu disco mais “estranho”. Tenha isso em mente. O disco é um lançamento da FlorCaveira, com produção do Tiago Cavaco e com um trabalho lindo de mixagem e masterização do Max Folgado. Mano, Cavaco e Folgado. Se esse não for o disco com o maior número de sobrenomes diferentes já lançado no mundo, por favor, me digam qual é. Mas voltando à estranheza.

Ninguém espera de mim uma mega-produção fonográfica. Mas neste disco, os padrões de gravação são da FlorCaveira. Tudo foi gravado ao vivo (eu toquei e cantei ao mesmo tempo). Não fizemos overdubs (ou seja, não regravamos nada) e as faixas têm suas determinadas sujeiras.

As letras talvez sejam as mais congregacionais que já lancei. Fico feliz em escrever isto.

Como sempre, minha oração é que estas faixas sirva para a glória de Cristo e para o crescimento espiritual do povo de Deus. Se Deus permitir assim, está ótimo.

Se você gostar, compartilhe.

Um abraço, e que nosso Deus seja glorificado.

Eduardo Mano

Casa na Rocha

Para nós cristãos, a diferença entre um homem prudente e um homem imprudente reside no local onde ele firma seus pés. Há aqueles que firmam seus pés em terrenos inseguros, movediços, traiçoeiros. Estes, imprudentes, fixam seus olhos naquilo que é momentâneo e fugaz, deixando de lado o que é duradouro. Já aqueles que põe os seus pés em solo firme, seguro, na rocha, têm a confiança e a garantia de que, venha a tempestade ou a bonança, sua base é firme.

Lemos a parábola dos dois alicerces contada por Jesus, e percebemos que não é interessante construir nossa casa sobre a areia. Sabemos que nossas vidas precisam estar fundamentadas em Cristo, para assim termos a segurança de não sermos abalados por aquilo que encontramos ao longo da vida. E neste contexto, é fácil perceber como é importante que nossas famílias estejam bem fundamentadas na Rocha, de forma que, em tempos bons ou ruins, possamos ter plena confiança no arrimo de nossas vidas.

Casa na Rocha é a canção que escrevi para falar de meu casamento com Eline. Eu a compus enquanto morávamos em Manaus, como um reconhecimento de que eu só poderia ser um bom marido para a minha esposa se minha confiança e amor estivessem plenamente depositados em Cristo. Afinal, se aquilo que é requerido de nós maridos é que amemos nossas esposas “assim como Cristo amou a Igreja e entregou-se a Si mesmo por ela” (Efésios 5.25), é apenas amando e confiando em nossos Senhor que conseguiremos cumprir esta ordem.

Hoje, enquanto aguardamos a chegada de nossa filha, Sarah, esta música tem se tornado meu hino pessoal. Minha casa está sobre a Rocha, a construi com temor. Não sou eu que a sustento, mas sim o Senhor. Esta convicção está cada dia mais firme em meu coração; é Ele o sustentador de nossas vidas. É Ele quem cuida de Eline durante toda a gestação (e ainda cuida), e é Ele quem cuida e tece com maestria a vida da Sarah no ventre da Eline. Dependessem elas de mim, estariam perdidas! Mas que grande Salvador nós temos – tanto elas quanto eu dependemos do poder e companhia de Cristo em nossas vidas.

Que grande conforto temos em saber que nossas vidas estão guardadas nas mãos de Deus, e que Ele nos sustém com amor, misericórdia e graça. E por isso, podemos cantar: Minha casa e eu serviremos ao Deus que cuida dos Seus, e que com graça sustenta quem ama as Suas leis.

A Ele seja a glória eternamente. SDG!

Eduardo Mano

Velhas Verdades em Portugal, 03

Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. 1 Coríntios 2:2

Desde que assumi o Velhas Verdades como o nome do ministério que levaria para frente, pensei que o texto acima era mais que ideal para refletir o propósito de se ter um ministério baseado na Palavra de Deus e que fosse trabalhar com música e missões. E tenho visto que Deus já provou, mais de uma vez, que este caminho é acertado.

Nas duas últimas semanas eu e Eline aproveitamos os baixos preços de passagens aéreas aqui pela Europa e fomos visitar alguns amigos, ministérios e igrejas em países próximos. Neste relatório, gostaria de destacar dois momentos.

Estivemos em Paris visitando o pastor Gustavo Faleiro, que em alguns dias retornará ao Brasil mas que mantém um trabalho muito importante na cidade. Pudemos conversar e partir do pão com ele, sua esposa Dalila e filhos. Soubemos sobre o trabalho que eles têm empreendido na cidade e de como toda a situação dos atentados se formou. Nosso sentimento enquanto andávamos pelo metrô e trens da cidade, bem como nas ruas, era de um povo desesperançado. Infelizmente, quando falamos sobre isso com eles, soubemos que este é o clima geral da cidade, e não só por causa dos atentados. Infelizmente há muitos suicídios, descaso de filhos em relação aos pais e dificuldade em aceitar uma mão estendida em ajuda. Ore pela Église Bonne Nouvelle, que permanece firme enquanto eles estiverem de volta ao Brasil, e também pela Missão França, que visa a pregação do Evangelho no país.

Estivemos também na cidade de Milão, onde fomos acolhidos pelo casal Ângela e Osiel, líderes da Chiesa Cristiana Evangelica Battista di Milano. A igreja, liderada por brasileiros e italianos, mas de fala italiana, tem sido um farol na cidade, e tem a simpatia de muitas pessoas que estão próximas a ela, mesmo não cristãos. Através de um amigo em comum, o pastor André Aguiar, pudemos servir a estes irmãos trazendo a palavra e o louvor durante um final de semana. O carinho com o qual fomos recebidos nos constrangeu. Brasileiros e italianos, de igual forma, foram muito amáveis e receptivos, mesmo que a língua fosse uma barreira. Chegamos a traduzir, com a ajuda do pastor André, três de nossas músicas (Mais Chegado que um Irmão, Como Ninguém me Conheces e Tu és Deus), mas não tivemos tempo para utilizá-las. Mas nada impede que as utilizemos no futuro. Ore pelos irmãos em Milão e por tudo aquilo que Deus tem reservado para eles no próximo ano.

O casal Ângela e Osiel, que plantou e hoje lidera, junto a outros irmãos, a Igreja Evangélica Batista de Milão

O casal Ângela e Osiel, que plantou e hoje lidera, junto a outros irmãos, a Igreja Evangélica Batista de Milão

Voltando um pouco no tempo, no final de semana anterior à nossa viagem, estivemos na cidade de Guimarães, um pouco mais ao norte de Portugal, distante 1 hora (de trem) do Porto. Passamos o final de semana com o pastor Dinê Lóta, missionário da Junta de Missões Mundiais da CBB, e com sua esposa Rose e linda filhinha, Ana Clara. Dinê e eu estudamos juntos há quase 20 anos no colégio, e pela graça de Deus podemos estar novamente juntos em terras portuguesas. Em Guimarães, participamos do aniversário da congregação que ele pastoreia, filha da Igreja Baptista de Braga. Possivelmente estaremos juntos novamente, ainda em dezembro. Ore pelo pastor Dinê e sua família, bem como sua igreja. Guimarães é uma cidade fantástica, e Portugal é um país carente do Evangelho.

Dezembro e janeiro nos reservam muito trabalho, peço que orem por nós. Em breve escreverei mais um pouco sobre o que temos pela frente.

Um forte abraço a todos!

Eduardo e Eline Mano