Um crescente interesse na Igreja

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Feliz ano novo. Vamos tentar fazer isso aqui voltar a funcionar, mais uma vez.

2014 passou e com ele o meu disco de pior resultado até agora. Mas eu juro para vocês que este não é um post para reclamar da vida.

Quando lancei o Guarda o Teu Coração, em 2012, o disco chegou à marca de 2000 downloads em menos de uma semana. É óbvio que isso é pouco para os medalhões do mercado, mas ainda assim, foi bastante coisa. Agora, com o Voz Como o Som…, lançado em outubro, já se passaram 2 meses e alguns dias e o disco ainda não chegou nem aos 1000 downloads.

Eu não sei interpretar qual o problema (ou motivo) que gerou isso, mas gostaria de crer que isso não se deve ao fato de eu propositadamente me aproximar cada vez mais de uma cultura claramente eclesial (ou, como alguns prefeririam dizer, “pensando dentro da caixa”).

A qualidade (ou falta da mesma) do disco poderia ser um indicador do baixo volume de downloads, mas isso não justifica uma vez que (a) todo mundo sabe que eu gravo, mixo e masterizo meus discos em casa e (b) muitos dos que baixaram disseram que este era o meu trabalho com melhor qualidade até hoje (obrigado :)).

De qualquer forma, eu disse que esse post não era para reclamar da vida. E não é.

Eu já me preocupei muito com sucesso. No sentido de que já quis “ser alguém”. Pela graça de Deus isso mudou há alguns anos. Todo ano surgem novos artistas que antes mesmo de lançarem um disco, já têm a simpatia do povo. E isso tudo vem travestido de “novidade”, cheio de roupas bonitas, mas poucas vezes vem acompanhado de biblicidade e temor do Senhor. E cada vez mais uma geração inteira vai achando que viver na igreja é cada vez mais parecido com viver como… quem não tem a Deus. O instagram tá aí para provar isso.

E por isso, por saber que minha vida e ministério estão nas mãos de Deus, não posso reclamar de números. Mas posso reclamar, tal qual um disco arranhado, da falta de Bíblia nas músicas cristãs atuais. E a forma que utilizo para reclamar é pedindo a Deus que Ele me guarde de escrever algo que não seja bíblico, que não seja para o louvor de Jesus, pelo poder e atuação do Espírito Santo. Sei, por emails e testemunhos que tenho ouvido através destes anos, que cantar a Bíblia é a melhor forma de apresentar Cristo às pessoas. Não preciso camuflar nada, Ele é suficiente, sempre. E agradeço a Ele por esta misericórdia.

Por isso amigos, meu interesse em produzir, cada vez mais, algo que seja da igreja e para a Igreja, só aumenta. E em 2015 eu espero que isso seja ainda mais forte.

Pela graça de Deus e para a Glória Dele caminhamos. Orem pela gente.

Um forte abraço,

Mano

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Ministérios Fracassados

Em alguns dias, o documentário Ministérios Fracassados, produzido pelo Yago Martins, completará um ano de lançamento. Como vocês sabem, eu participei do vídeo como um dos entrevistados, e pela graça de Deus, os frutos deste trabalho foram muito proveitosos. Claro, houve quem reprovasse, achasse ruim, e etc. Mas as bênçãos foram maiores, e em maior número. Não dá nem pra prestar atenção nos comentários ruins.

Uma das grandes portas que o vídeo abriu foi a possibilidade que eu tive de pregar em lugares onde nunca fui, e talvez nunca vá. Explico. Em muitas igrejas, a minha parte do vídeo foi utilizada para fomentar a conversa sobre ministério e sucesso junto a equipes de louvor espalhadas em todo Brasil. E em algumas partes do mundo. Meus 8 minutos de participação no vídeo são meu testemunho para pessoas que possivelmente eu nunca vou encontrar face a face, mas sei, por relatos, que foram marcadas por aquilo que conto no vídeo.

Continuamos a ser um ministério diminuto. Quando saímos, geralmente vou apenas eu e minha esposa, sem os meninos da banda. Continuamos, todos, com nossos empregos. Continuamos, todos, no intuito de criar música que sirva para a edificação da Igreja e para a glorificação do Nome de Cristo. Que Deus nos proteja de algum dia pensarmos em fazer as coisas de outra forma.

Espero que o vídeo aí em cima sirva para algo na tua vida (caso você ainda não o tenha visto). E se você não sabia da existência do Ministérios Fracassados, por favor, assista a todo documentário. Tenho certeza de que não será perda de tempo.

A paz de Cristo!

Eduardo Mano

O Comércio e o Evangelho

Antes de mais nada, eu vendo CDs. Como vocês já estão carecas de saber, eu os disponibilizo para download gratuito aqui no blog e no facebook, mas quando vou nas igrejas tocar, levo algumas unidades do CD físico e o vendo por, em média, 12 reais. Não exijo que ninguém o compre (na verdade, eu SEMPRE aviso a todos que podem baixar o trabalho gratuitamente).  Mesmo assim, a venda do CD me constrange (pergunte a qualquer um que toca ou tocou comigo se isso não é verdade). Me constrange pois creio que canto o Evangelho, e o Evangelho não deveria ser vendido, mas sim distribuído gratuitamente a TODOS – e estou tomando providências para corrigir isto. Além disso, a Virá lançou uma camiseta com a ilustração da letra de uma de minhas músicas, mas até sobre isso já tomei providências. Com isso prossigo, sabendo da culpa que carrego.

Nos últimos dias fomos informados pela “salutar” indústria gospel que um artista lançaria uma linha de bonecos com seu nome. Além disto, uma “bispa” e um “apóstolo” lançaram, respectivamente, suas linhas de cosméticos e perfumes. Não são poucos os produtos que carregam o nome de pastores e líderes ou a marca de algum ministério. Não me refiro a livros, que em muitos casos trazem conhecimento ao povo. Falo de linhas de produtos pessoais que tem por único motivo de existência o enriquecimento de empresas e “personalidades” que, não se importando com aqueles que os seguem, insistem em arrancar deles até o último centavo.

Eu tenho andado muito preocupado com o rumo que as coisas têm tomado. Simplesmente pelo fato de ver muito do humano em tudo que o mercado tem produzido, e pouco do espiritual, do sagrado, da água viva. Se vivemos o Evangelho, vivemos para a glória Daquele que dizemos servir. Não para a nossa glória. Não para o nosso enriquecimento.

O salmo 69 diz, no verso 6, o seguinte: “Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, DEUS dos Exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel.” Nosso caminhar é determinante para a pregação do Evangelho – nossa vida deve ser uma extensão daquilo que falamos, cantamos e pregamos. Se pregamos a Cristo, e este, crucificado (ou seja: morreu por nós a nossa morte), como podemos nos atentar a coisas tão mundanas, e distrações tão infantis? Temos servido de escândalo e pedra de tropeço a muitos de nossos irmãos na fé, e isso é motivo de pranto, não de júbilo.

Nosso tempo na terra não é longo, é curto. Nosso tempo aqui é de semear o Evangelho de Cristo e trabalhar para a expansão de Seu Reino; não é um parque de diversões. Literalmente há vidas que precisam de nós, mas estamos muito ocupados com nossos guarda roupas, nossos carros novos, nossa vontade de compartilhar a aquisição de bens, gadgets, coisas. E fazemos isso dizendo que Deus nos abençoou. Mas na hora do aperto, esquecemos de dizer que Deus também nos tem abençoado com perseverança para aguentar os tempos ruins. Não queremos compartilhar a simplicidade do Evangelho.

Precisamos mudar nossa postura e nosso caminho. Quem de nós pode dizer como o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11:1, “tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo”? Não nos esqueçamos que até o apóstolo Pedro foi repreendido por agir de maneira diferente a qual pregava, em Gálatas 2. Estamos com os bolsos tão cheios de moedas, que somos obrigados moralmente a compartilhar isso com os que precisam. Mas o que temos feito? Enriquecido. Engraçado que o poder de Deus foi manifestado através de Pedro e João justamente quando seus bolsos estavam vazios, como lemos em Atos 3 (leia o texto todo no link): “Disse Pedro: ‘Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande‘”. Reparem bem: “o que tenho, isto lhe dou”. Se eles tivessem moedas, dariam moedas. Se o seu bolso está cheio delas, dê delas. Mas quando estiver vazio, dê o próprio Cristo. Algumas celebridades gospel têm os bolsos tão cheios que não dá pra entregarem a Jesus, e muito menos as moedas.

Cristo é mais glorificado em nós quando nossa satisfação é Nele, e não em produtos.

Que Ele nos corrija, a fim de O servirmos da melhor forma possível.

Graça e paz.

Eduardo Mano

Premiações musicais: o que faz sentido

Na noite de ontem, foi entregue o prêmio multishow, celebrando artistas como Paula Fernandes, Restart e NX Zero. Creio que isso é tudo o que eu tenho a dizer a respeito deste assunto.

Quando fiquei sabendo disso, postei alguma besteira no twitter, ao que fui respondido pelo amigo Thiago: “Quem diria que o VMB seria algo de credibilidade. Viu os indicados desse ano?”. Isso me deixou curioso, e logo em seguida, o Thiago me mandou o vídeo que está neste link.

Os indicados no prêmio da Mtv são bem mais reais que os do Multishow. E isso se dá por um fato que o mesmo Thiago elucidou: este ano, a premiação será julgada por especialistas, e não por fãs. Creio que nada mais salutar para um prêmio que tal atitude.

Explico, já sabendo que vão chiar.

Há quem ame música, e há quem ame músicos / bandas / artistas. Quem ama a música sabe quando um de seus artistas favoritos pisa na bola, faz um disco ruim, ou ainda, sabe julgar o que há de bom ou não em uma canção. Quem ama os músicos, nunca vai se importar com isso. É a pessoa que se satisfaz com uma notícia sobre a roupa que o Bieber usou para levar o cachorro para fazer cocô. Isso é algo noticiável, para quem ama apenas o artista. Mas não para quem ama música.

Um prêmio infelizmente não pode ser deixado na mão de fãs. Muitas vezes eles são (facilmente) levados a fazer a vontade de seus artistas prediletos, e isso garante que, por exemplo, o Restart ganhe dois prêmios em uma noite. Quando você leva esse julgamento a quem sabe o que faz, a quem está treinado a ouvir música, coisas como estas não acontecem. Deixa de ser o domínio da gravadora que investe mais em marketing, roupas e promoção, e passa a ser a possibilidade do artista que tem um modesto séquito de ouvintes. Duvida? Basta reparar em quais são os indicados do VMB da Mtv e quais foram os indicados do Multishow.

Fico mais triste ainda em ver que a mentalidade do prêmio Multishow já tá chegando no movimento da música (com o perdão do termo) Gospel, como pode mos ver aqui.

Bom, é isso… só um devaneio. Certamente será muito discodado, mas paciência. tamos aí para moderar os comentários. 😉

Mercado da Música. E eu com isso?

No último texto eu falei que “As bandas cristãs teriam muito a aprender com as novas tendências, se não estivessem tão preocupadas em soar como uma cópia do United, ou se cada banda que se forma nas igrejas já não tivesse o intuito (como se esta fosse a única forma de “acontecer”) de assinar um contrato com alguma gravadora.” Eu já vi e ainda vejo esta história se repetir quase todos os dias. E por isso, gostaria de falar a respeito de sucesso.

Quando os Vencedores por Cristo foram criados pelo missionário Jaime Kemp em 1968 a idéia era trabalhar missões com grupos de jovens que viajariam pelo Brasil levando música e palavra. Foram inúmeras equipes missionárias, e vez por outra uma das equipes trabalhava na gravação de um disco. Só que o foco do trabalho não era a gravação, mas sim as viagens missionárias, e aqui faço um adendo.

Viagem missionária, para quem nunca participou de uma, significa abrir mão de conforto. Esqueça quartos de hotel com ar-condicionado, frigobar e serviço de quarto. Na melhor das hipóteses, você vai dormir no alojamento de algum retiro ou na casa de algum irmão, mas pode ser que passe a noite num colchonete, numa rede ou no chão da igreja. Muito diferente das exigências que as bandas fazem hoje em dia ao receber o convite de alguma igreja distante, onde hotel passa a ser uma obrigação. Mas voltando ao assunto.

A maldição da mídia gospel e dos luxos vividos pelos artistas transformou aquilo que era para ser missão e serviço em regalias, proveito, benefícios e mamata. Sim, mamata. Afinal, não é mamata viajar de graça pelo país, recebendo por um final de semana aquilo que muitos pais de família brasileiros demoram 3 ou mais meses para conseguir, e ainda por cima com tudo pago? Meus caros, onde chegamos?

Para muitos jovens e adolescentes, mais importante que fazer música que agrade a Deus e sirva de conforto, exortação e ensino ao Seu povo, já no primeiro ensaio da banda são definidos quando o CD será gravado, quais serão as exigências para irem a algum lugar e por aí vai. os fins passaram a justificar os meios: faço música para ter uma vida de rockstar.

Já chegamos a um ponto onde há calotes de promotores de eventos e de bandas. Promotores inescrupulosos que deslocam uma banda para algum lugar e no final das contas não honram com seus compromissos nem com o público nem com a banda. Mas também há falta de escrúpulos nas bandas que desmarcam evento já agendados em favor de outro, na mesma data, que vai “pagar mais”, ou dar mais visibilidade. Não basta termos beirado o absurdo, mas ultrapassamos a linha que o define e fincamos a bandeira do mercado por lá, bem distante do que, creio, é a vontade de Deus para aqueles que se iniciaram neste caminho.

A verdade é a seguinte: nem todos serão o Oficina G3, o Diante do Trono, o Quinlan ou qualquer outro dos que vive exclusivamente do mercado. Há grandes chances, na verdade, de que você sua banda nunca passem dos limites da sua cidade, e que precisem ter empregos que banquem a música. Digo isto por experiência.

Quando gravei o Canções para Grupos Pequenos eu não imaginava que ele teria mais de 1000 downloads. Por mais que este número seja pouco, para mim foi muita coisa. Só que isso não abriu mais possibilidades de agendas. De fato, as igrejas onde tocamos no início eram igrejas de amigos – da mesma forma que funcionamos hoje. Para gravar o Esperança, troquei meus serviços de designer pelas horas de gravação em estúdio. Foram mais de 2000 downloads deste disco, e novamente, nossa agenda ainda não ficou lotada. Para o Velhas Verdades, a opção de gravarmos em casa não foi apenas para provar que era possível, mas também por não termos dinheiro para gravar o disco. Foram, até agora, mais de 1500 downloads do disco, e nossa agenda não lotou com isso.

Se penso em sucesso e vejo que nossa agenda está vazia, a lógica mundana diz que não o temos. Só que com Deus a parada é diferente, e quando vejo as mensagens e emails que recebemos de gente que foi tocada pela música, ou que ouviu Deus falar com elas através de uma letra… eu não posso deixar de ficar feliz com isso! Quando lembro de todos os amigos que fiz por causa da música nestes últimos 3 anos, não tenho como não me sentir alguém de sucesso! Eu trabalho de segunda a sexta de 9 da manhã ãs 18 da noite, e muitas madrugadas eu estou no computador, trabalhando, para sustentar minha casa. Não é incomum termos que colocar dinheiro na banda, pagando ensaios e duplicação de CDs, e não sei se algum dia isso se tornará autosustentável, mas como eu tenho prazer em sentir Deus confirmando em meu coração que é para continuar.

Eu queria que outras bandas tivessem esta mesma alegria.

Passei boa parte dos últimos meses crendo que o que fazíamos é arte, e que por isso, seríamos artistas. Tolice minha. Se é ou não arte, isso deveria importar menos do que o fato de ser instrumento de Deus para tocar vidas., e que neste sentido, sim, a banda passa a ser um ministério, e os membros dela ministros, mas com a humildade que o nome dá: ministro é servo, e o serviço é a Deus e à Igreja. Até o “ser ministro” pode encher as pessoas de orgulho.

Eu sinceramente gostaria que não houvesse tanto dinheiro envolvido no mercado gospel. Gostaria que mais e mais bandas redefinissem suas visões acerca do que estão fazendo. Gostaria de poder mudar a mentalidade de muitas igrejas e fazer com que elas investissem mais em missões ou em seus membros do que nas bandas convidadas do congresso jovem, mas não posso. Veremos no que isso vai dar um dia.

Quanto às bandas, no próximo texto falaremos um pouco sobre como tentar equilibrar o chamado, mantendo-o o mais puro possível com uma visão sadia de mercado, e nas formas que a banda pode pensar para fazer sua divulgação de forma criativa e honesta.

Até a próxima,

Eduardo Mano

Mercado da Música. E eu com isso?

Ainda na seqüência, recentemente encontrei uma entrevista do Robin Pecknold, líder dos Fleet Foxes, falando a respeito de downloads ilegais e da indústria. Veja como o pensamento do cara é diametralmente oposto ao da maioria das bandas de hoje. Eu já tinha percebido que, quando o último disco da banda, Helplessness Blues, vazou, ele ficou feliz com o que as pessoas estavam escrevendo (falei sobre isso neste post aqui). Agora ele explica melhor seu pensamento.

Veja: eu baixei a discografia dos Fleet Foxes, e eu me dei ao trabalho de comprar os CDs importados (que sairam mais baratos que dois CDs da seção “religiosos”das Lojas Americanas, mesmo incluindo o frete). Muitas (muitas mesmo) das pessoas que baixaram meu disco Velhas Verdades se interessaram em comprar, e ainda hoje tem alguém levando uma, duas cópias. É claro que, ao contrário dos Fleet Foxes, nós ainda não gravamos um vídeo no La Blogothèque, e nem mesmo vivemos de música, mas há público para todos.

Fique aí com a entrevista.

FLEET FOXES FELIZES COM DOWNLOADS

O cantor da banda Fleet Foxes, Robin Pecknold, insiste em dizer que não se importa se pessoas baixam sua música ilegalmente, já que é algo que ele mesmo faz de qualquer forma.

A banda Fleet Foxes encara as reclamações a respeito de downloads ilegais como “nojentas”.

O grupo não entende a por que músicos não ficam felizes com o fato de seus fãs adquirirem sua música gratuitamente na internet e incentiva que as pessoas adquiram sua música da forma que quiserem.

O cantor Robin Pecknold diz: “Não me importo com pirataria, eu já baixei centenas e centenas de discos, por que deveria me importar se alguém baixar o nosso? É realmente algo besta com o que se importar, de quanto dinheiro eu preciso? E acho nojento quando as pessoas reclamam disso. Eu sou absolutamente a favor de downloads ilegais.”

O líder da banda diz que o fácil acesso à música nos dias de hoje só pode ser benéfico à indústria.

El ainda disse à revista BANG Showbiz: “Eu creio que quanto mais música você puder ouvir – e em especial os músicos – só irá tornar a música melhor e estamos vendo isto agora quando pensamos nas novas bandas, elas estão se saindo bem melhor agora, e fazendo mais música boa que antes.”

Mercado da Música. E eu com isso?

Quem escreve (qualquer coisa) sabe que frases de efeito são sempre bem-vindas para gerar aquela sensação nos outros de que nós sabemos do que estamos falando. No texto anterior eu afirmei que nossa educação musical é feita pelos programas de auditório e pelas rádios FM, e eu gostaria muito que essa fosse apenas mais uma frase de efeito, mas ela é a realidade.

Todos nós que temos menos e 35 anos crescemos, muito provavelmente, tendo a TV como babá. Pegamos, alguns (os com mais de 30), um pouco do programa do Chacrinha, tivemos Xuxa e Angélica comandando nossas manhãs, Silvio Santos e Gugu Liberato trazendo as apresentações em playback do que era sucesso nas rádios de São Paulo, bem como a boy-band Polegar (a resposta tupiniquim ao New Kids on the Block?). De qualquer forma, a não ser que esteja enganado (o que creio não estar), tudo isso era fruto dos investimentos dos departamentos de marketing das gravadoras, que não economizavam em jabás para que seus produtos fossem vendidos.

Ficamos rendidos a isso por alguns anos até que em 20 de outubro de 1990 nascia a Mtv Brasil, então focada exclusivamente em música.

E aqui é importante fazer um adendo. Não estou nem cogitando a hipótese de que não haja ou houvesse jabá na Mtv. É claro que há. Só que com 24h de programação, fica complicado você só ter espaço para bandas de gravadoras dispostas a desembolsar uma verba. E quem assistia, como eu, a programas como Lado B do “Reverendo” Fábio Massari ou aos Fúria Metal (versão nacional do clássico Headbanger`s Ball da Mtv Americana – que ainda é veiculado) e Gás Total, ambos apresentados por Gastão Moreira, e ainda aos programas do Kid Vinil, Luís Thunderbird e outros VJs que tinham programas dedicados ao rock e suas vertentes, sabe que muitas das bandas que passaram por lá eram pequenas, às vezes independentes, e ainda assim tinham um lugar ao sol. Com a Mtv, houve oportunidade.

Particularmente, no mesmo ano em que a Mtv nasceu eu comecei a ouvir heavy metal, e muitas das bandas que conheci na época, a emissora as trouxe à minha casa. Era uma época em que discos de bandas desconhecidas ou fora do mainstream eram mais baratos, então minha coleção de vinis foi bem grande. A oportunidade que a Mtv nos deu foi a de expandir nosso conhecimento musica. Ela nos apresentou bandas e estilos que, até então, não estariam acessíveis a uma criança de 11 anos. Eu, que não tinha idade para frequentar bares de rock ou até mesmo para ir às lojas especializadas em metal, podia “consumir” tudo isso através da minha antena UHF (coisa que muitos dos que estão lendo agora certamente irão ao santo Google perguntar o que é).

Graças ao bom Deus, a internet chegou à vida dos brasileiros quase que ao mesmo tempo em que a Mtv decidiu que música não “vendia”, e começou a se dedicar à retransmissão dos (péssimos) reality shows da matriz gringa. Mas a benção já havia sido espalhada, e o que começou na televisão, ganhou força exponencial através das conexões discadas. Sim amiguinhos, antes da internet 10Mb que você tem em casa, nós utilizávamos conexões discadas que nos permitiam baixar um arquivo MP3 (veja bem, um arquivo, não um disco) em pouco menos de 4 horas.

O que vem depois disso, todos já sabem. Downloads de discografias completas de bandas, Napster, eMule, Metallica processando um monte de gente e não adiantando nada, mais downloads “ilegais”, sites, blogs e comunidades dedicadas a divulgar música, bandas desconhecidas e discos raros.

E onde entra o tal mercado da música nisso tudo? Aí é que está, nem eles sabem. A vanguarda, o mando de campo, já não está mais com eles.

É claro que os artistas que gostam de música e a querem tornar acessível ainda são menos ouvidos (afinal, o jabá e todo marketing das majors ainda abre portas), mas quem os ouve está mais disposto a “espalhar as boas-novas”. O mainstream quer nos dizer que os downloads gratuitos não ajudam em nada as bandas, plantando posts fakes em blogs direcionados ao mercado independente, mas se esquecem que hoje muitas das produções são tão “caseiras” quanto as fitas demos do Nirvana que os tornaram conhecidos na Seattle do final década de 80, antes da Sub Pop assinar com eles, e isso faz com que os custos caiam vertiginosamente, possibilitando assim que artistas distribuam seu material sem custo (ou a um custo bem mais apropriado) aos ouvintes.

As bandas cristãs teriam muito a aprender com as novas tendências, se não estivessem tão preocupadas em soar como uma cópia do United, ou se cada banda que se forma nas igrejas já não tivesse o intuito (como se esta fosse a única forma de “acontecer”) de assinar um contrato com alguma gravadora (falaremos mais sobre isso em outro texto). Ainda há gente esbravejando quando suas músicas são passadas adiante pela internet, e mesmo nos casos em que a venda dos CDs é a única fonte de renda do artista, ainda assim eu creio que a disseminação não é de todo mal. Especialmente quando ser conhecido é crucial para o bom andamento do ministério.

Mas tudo isso será abordado mais para frente.

Eduardo Mano