Aonde me mandar, irei

O Hino 308 do Cantor Cristão traz, em umas de suas estrofes, os seguintes versos:

“Se eu tiver Jesus ao lado, 
E por ele auxiliado, 
Se por ele for mandado, 
A qualquer lugar, irei.”

Temos, eu e minha casa, vivido desta forma há alguns anos. A ida para o Seminário, a vida em Manaus, viagens para lugares que nunca imaginávamos que conheceríamos. E hoje, estamos de volta há Portugal. Há 3 anos viemos pela primeira vez para cá, e Deus falou muito forte ao nosso coração sobre esta terra. Eis nosso testemunho:

Da primeira vez em que viemos, Eline e eu estávamos para completar 10 anos de casados. Já desejávamos ter filhos, mas a demora em alcançar este objetivo se mostrou um impedimento que, segundo médicos, seria resolvido com a utilização de medicamentos. Ficamos tristes, mas não desesperançosos. De qualquer forma, a vinda para a Europa já estava marcada, e o tempo de permanência aqui seria de 6 meses – deixamos os planos do início do tratamento para engravidarmos para a volta ao Brasil.

Desde o momento em que soubemos que viríamos, conversamos e decidimos redimir uma viagem que seria apenas de estudos e turismo em algo que pudesse abençoar vidas. Fizemos contatos com amigos em Portugal e na Europa dizendo: estamos disponíveis para servir, no que for necessário. Isso abriu as portas para conhecermos igrejas e congregações, além de visitarmos missionários e conversarmos com pastores em outros países, além de Portugal.

Já na Europa, e enquanto servíamos, Deus operou um lindo milagre em nossas vidas: engravidamos da Sarah sem que houvesse a necessidade de tratamentos médicos (que seriam caros). Enquanto buscamos servir ao Reino do Senhor, Ele acrescentou às nossas vidas.

Ao final do período em que estaríamos por aqui, um amigo nos convidou a voltar e ajudar, pois havia trabalho a ser feito e poucos que estivessem dispostos. Naquele momento, no início da gravidez, a nossa decisão foi a de voltar ao Brasil, ver a Sarah nascer perto dos avós e buscar entender se devíamos voltar e nos dedicar a esta empreitada. Dois anos e meio se passaram, repletos de muita oração, alegrias, frustrações, promessas vazias, parceiros encontrados, mudanças e a partida.

Voltamos a Portugal pelo tempo que o Senhor determinar. Não é o melhor dos momentos: muitos brasileiros também vieram para cá, em busca de uma vida mais tranquila ou em busca de oportunidades. Isso fez com que os custos de moradia no país aumentassem muito, mas Deus, que foi fiel em nos mostrar cada porta aberta para nossa vinda, tem mostrado as portas abertas para nossa permanência.

Termos engravidado da Sarah nesta terra nos fez perceber na carne que Deus faz vida surgir do nada, o estéril se torna fértil, o solo seco volta a dar fruto. Queremos ver Portugal dar frutos, para a glória do Senhor.

Se você leu até aqui, peço que ore por alguns pontos:

  • Pela nossa vida e sustento. Que Deus nos mande a provisão a cada mês, e que surjam novos mantenedores, sejam parceiros fixos ou esporádicos;
  • Pela Igreja Baptista da Graça, igreja onde estamos servindo;
  • Pelo Pr. Jónatas Lopes (pastor da IB da Graça, que nos convidou a voltar), sua esposa Filipa e seus filhos Raquel, Samuel e Gabriel.

Deus seja louvado em tudo, e que Ele continue fomentando missões, movendo missionários, igrejas e líderes por todo mundo.

SDG!

Dois Dedos de Teologia

Há uma semana atrás (ou algo assim) estive com Eline, Sarah e meus sogros em São Paulo para visitar meus cunhados. O que Deus nos reservava era estar na mesma cidade que Yago e Isa. Algumas mensagens de Whatsapp e pronto: agendamos um encontro.

Como Yago está no empenho de regravar tudo o que um dia fez parte do acervo do Dois Dedos de Teologia, aproveitamos que ele pregaria na Presbiteriana de Pinheiros e gravamos um vídeo por lá. Tem participação de minha filha Sarah, do Geolê, e também a comemoração pelos 5 anos do Webdocumentário Ministérios Fracassados. É… o tempo voa!

Sem mais delongas, eis o resultado deste encontro:

Cuidado, Olhinho, com o que Vê

Nesta época em que a imagem prevalece como registro-verdade de momentos e fatos, é muito importante nós, como cristãos, guardarmos nossos olhos, mentes e corações do que vemos. E eu aqui não me refiro a imagens sensuais ou pornográficas. Estou falando mesmo das inúmeras fotos que vemos de igrejas em seus cultos dominicais.

Durante muitos anos eu fui um daqueles jovens deslumbrados com todo o movimento de adoração que nascia no Brasil e no mundo. Comprava CDs, traduzia músicas, juntava os amigos da igreja (e de outras igrejas) em bandas que ensaiavam à exaustão para tocar cover dos hits do momento. Jurava que isso ia dar em alguma coisa e, obviamente, estava errado, para a glória de Deus.

Em uma época de Orkut e blogs, era fácil ter acesso ao que as bandas que eu admirava estavam fazendo. Turnês fantásticas, amizades com outras bandas, lançamento de discos… tudo com muitas luzes, shows lotados, uma coisa impressionante. Eu, então no início dos meus 20 e poucos anos, já sabia como gastaria meus dias.

As imagens que eu via tinham sobre mim o poder de me fazer desejar aquilo para a minha vida e ao mesmo tempo traziam um peso depressivo, um prenúncio de que minha vida não seria daquele jeito. Eu cobiçava e murmurava por causa de fotos de bandas tocando em igrejas.

Eu sei, isso soa muito, muito ridículo. Mas o ponto é: eu tenho certeza de que existem hoje jovens vivendo desta mesma forma. Embora as plataformas tenham mudado (O Orkut nem existe mais), imagens deste tipo ainda deslumbram muitos jovens que têm o desejo de servir a Deus através da música ou da palavra. Eles seguem os perfis de Instagram de pastores, bandas, preletores, pseudo-celebridades (ou ainda, auto-intituladas celebridades) e imaginam quando terão uma agenda cheia como a deles, quando eles serão convidados a participar daquele mega-evento onde anualmente pagam uma pequena fortuna em inscrições, hospedagem, livros e CDs que provavelmente nem serão abertos, quanto mais lidos e ouvidos.

Amigo, é provável que você nunca tenha isso na sua vida.

Ao final de um domingo qualquer, quando as igrejas, ministérios, líderes e mais seja lá quem for terminam de carregar suas fotos no Instagram e no Facebook, sobem seus vídeos no Stories cheios de frases de efeito e stickers para que tudo fique über-cool, milhares e milhares de jovens vêem estas imagens e não sabem muito bem como lidar com elas. No vídeo onde uma multidão de jovens pula ao som de um novíssimo cântico, há aqueles que pensam que suas igrejas também deveriam ser assim. Naquela foto linda do pregador em pose assertiva com o microfone na mão, a luz certa (e o filtro exato) e as roupas caras da moda, muitos jovens se questionam quando terão fotos assim tiradas, quando pregarão em eventos cheios, e não apenas na congregação de sua igreja, onde se reúnem 30 pessoas no domingo à noite. Na foto da banda passando o som antes de um culto, jovens se imaginam tocando em eventos gigantescos, ao lado dos nomes mais famosos da atualidade. E veja, não necessariamente este seja um problema ou erro de quem posta, mas sim de quem vê.

Eu sei disso amigos, pois se eu não guardar meu coração, eu acabarei desejando estas mesmas coisas. Contas no Instagram, páginas no Facebook, nada disso é errado. Tirar fotos super legais e vídeos irados aos domingo, creio que também não seja errado. Eu mesmo tenho tais contas e posto fotos e vídeos. Mas tornar o serviço à Igreja algo com um fim em si mesmo (ou seja, a finalidade de participar de eventos, viajar, gravar CDs ou escrever livros é simplesmente ter um ministério) é errado. É tentar roubar a Glória de Deus, a quem todo serviço à Igreja se destina. A pregação, a adoração, missões, o aconselhamento, o discipulado, a classe de jovens, o berçário: tudo isso serve para a Glória de Deus.

Deus não divide sua glória com ninguém. Ele tem zelo por Sua glória. Quando trabalhamos para que esta glória seja louvada, não importa se pregamos para 30 ou para 3000. Não importa se estamos dirigindo o louvor em um grupo pequeno ou em uma igreja com 1000 pessoas. Quando reconhecemos que a glória é de Deus e quando nos empenhamos em bendizer Seu Nome, números têm pouca influência em nossa atitude.

A Ele toda glória!

Eduardo Mano

Novo velho EP

Há alguns dias eu publiquei no Instagram que havia encontrado fotos e as gravações que fizemos há 6 anos atrás. Era o EP Mais Vale um Dia Vale Mais. Foi o último registro que fizemos como banda completa, e esse material ficou esquecido por anos. Por muito tempo, pensei que era necessário mandar as faixas para alguém qualificado editá-las, e deixei o CD para lá. pensava que não poderia realizar este trabalho.

Pois bem, pensava.

Como vocês sabem eu sou mexedor de áudio, e conversando com um amigo, me propus ao menos tentar. Certamente o resultado será diferente do que seria obtido tendo um profissional mexendo nas faixas, mas imaginei que, se já fiz isso uma vez, poderia fazer novamente.

Bom, são 4 faixas. Já falei sobre elas anos atrás, mas como durante esse tempo algumas foram usadas, vale o registro.

• Fonte és Tu de Toda Benção – Hino clássico que tocávamos muito antes do período de 2008 para cá. A versão do EP é uma releitura do hino, com a linha melódica reescrita. Creio que lancei uma versão desse material em voz e violão no Soundcloud em algum momento da minha vida.

• Refúgio Inabalável – Era para ter sido a estréia da música, mas acabei lançando uma versão dela no Ergo Meus Olhos. De qualquer forma, creio que esta versão será mais interessante, com banda.

• Uma Nova Canção – Outra que lançamos pouco depois da gravação, sem maiores mexidas. Esta música está originalmente no Canção para Grupos Pequenos, e esta versão, para mim, é a definitiva. À época, achávamos que ela tinha um quê de Sigur Rós. Creio que estávamos errados.

• Tua Graça, Senhor – Acabei gravado esta música no Voz Como o Som de Muitas Águas, e gosto muito daquela versão. Esta é um bocado diferente, mas  basicamente por conta dos elementos. Há alguma diferença nos arranjos, mas nada absurdo.

Estou tão animado com ele agora quanto estava animado com ele no dia em que o gravamos. Foi um dia muito especial. Estávamos entre amigos, com gente amiga participando do processo. Foi uma pena o material ter ficado tanto tempo esquecido, mas espero que essa redenção dele sirva para os propósitos eternos de Deus.

“Mas Eduardo, como lançar músicas que já haviam sido lançadas podem servir aos propósitos eternos de Deus?”

Bem, meu caro amigo irônico, das seguintes formas: há pessoas que não conhecem ainda as versões originais destas músicas, e podem ser abençoados por elas, por sua mensagem. Há pessoas que por não gostarem do formato em que foram lançadas originalmente não deram atenção a elas naquela época, e que agora, com esta roupagem, podem ser abençoadas. Há pessoas que gostaram das versões originais e foram abençoadas por elas, mas por serem antigas, já não as ouvem mais. O interesse em ouvir estas novas versões pode abençoá-las com aquilo que, um dia, já foi benção.

É tudo Dele, por Ele e para a glória Dele.

Soli Deo Gloria

eduardo

Sabia que o disco novo tem encarte?

Os tempos são outros. Quando eu era novo e comprava LPs (antes, muito antes do recente revival que o vinil experimentou), o grande barato (gíria de velho) era colocar o disco para tocar e acompanhar as letras no encarte, grandão, que acompanhava o disco. Anos depois, com o CD, o impacto não era o mesmo mas o ritual seguia: CD no player e encarte (pequenininho) na mão.

Mas hoje temos o Spotify, Deezer, Apple Music e outros. Como ficamos nós, os da velha guarda?

O Ergo Meus Olhos é o primeiro disco que lanço sem mídia física. Gostaria de dizer “por enquanto”, mas creio que esta decisão será definitiva. Só que, paradoxalmente, este foi o disco no qual mais trabalhei para ter um encarte digno. Acontece que, como poucos baixaram o MP3 do disco (que está aqui), quase ninguém sabe deste encarte. Por isso, usei a tal da tecnologia e fiz o upload do arquivo no issuu. Segue o livreto aí em baixo. E dá pra baixar – aviso para os que queiram.

Espero que gostem!

Eduardo Mano

Lançamento – Ergo Meus Olhos

Bem amigos… eis que chegou o dia. Hoje é o lançamento do meu novo disco, Ergo Meus Olhos. .

Vocês já sabem o roteiro. Tem download grátis do disco? Tem. Está nas plataformas de streaming? Está*. Tem encarte maneiro com letras, fotos e textos? Claro! Tem hino? Sim! Eu canto com minha esposa? Óbvio!

https://open.spotify.com/embed/album/77D4XKUfKGxpOWqjR05KSr

Algumas palavras são necessárias.

Este é meu disco mais “estranho”. Tenha isso em mente. O disco é um lançamento da FlorCaveira, com produção do Tiago Cavaco e com um trabalho lindo de mixagem e masterização do Max Folgado. Mano, Cavaco e Folgado. Se esse não for o disco com o maior número de sobrenomes diferentes já lançado no mundo, por favor, me digam qual é. Mas voltando à estranheza.

Ninguém espera de mim uma mega-produção fonográfica. Mas neste disco, os padrões de gravação são da FlorCaveira. Tudo foi gravado ao vivo (eu toquei e cantei ao mesmo tempo). Não fizemos overdubs (ou seja, não regravamos nada) e as faixas têm suas determinadas sujeiras.

As letras talvez sejam as mais congregacionais que já lancei. Fico feliz em escrever isto.

Como sempre, minha oração é que estas faixas sirva para a glória de Cristo e para o crescimento espiritual do povo de Deus. Se Deus permitir assim, está ótimo.

Se você gostar, compartilhe.

Um abraço, e que nosso Deus seja glorificado.

Eduardo Mano

Paternidade e Dependência

Escrevi o texto abaixo em 10 de novembro do ano passado. Sarah tinha 1 mês e uma semana e ainda tínhamos problemas com a hora de dormir. Achei o texto hoje e pensei em compartilhá-lo com vocês.

Escrevo este texto enquanto assisto (ou tento assistir) ao filme Gladiador. Devo ter visto este filme uma dezena de vezes, inclusive no cinema, à época do lançamento. Foi o filme que me apresentou ao ator Russell Crowe, de quem tornei-me apreciador. Mas não é esse o ponto.

Esta é a primeira vez que assisto a esse filme enquanto cuido de Sarah, enquanto ela dorme. Ou tenta dormir, o que já é alguma coisa. E ao assisti-lo desta vez, reparei em uma fala do personagem principal – Maximus – que havia passado em branco das outras vezes. A frase, em tradução livre do inglês, seria essa:

“Bendito Pai, guarda minha esposa e filho com uma espada pronta”.

Achei curioso. Desde que Sarah nasceu, há uma frase em minhas orações que tem sido uma constante: “Senhor, guarda a Eline e a Sarah. Confio em Ti para isso, pois não sou capaz. Me dê capacidade para isso”. Não é um mantra, embora não passe um dia sem que eu ore isso, dentre outras coisas. É um reconhecimento de inaptidão. Há coisas que eu não posso fazer. Preciso, PRECISO entregar todas elas nas mãos de Deus, que detém todo o poder neste universo.

Este é um tema recorrente para mim. Eu já havia escrito algo nessa linha quando compus Casa na Rocha. Mas viver o dia a dia de uma casa com uma criança tão nova, tão indefesa e tão dependente, me leva a perceber o quão incapaz eu sou de prover tudo aquilo que elas – Eline e Sarah – precisam. Não é apenas o teto, o alimento, a cama: é também o sustento e liderança espiritual, a centralidade das Escrituras, e a demonstração do amor de Deus.

E como tenho falhado em muitos destes aspectos…

A paternidade fez com que eu entendesse aspectos de nosso relacionamento com Deus que, de outra forma, não seria possível entender. Vermos uma criancinha que precisa que façamos tudo por ela: o alimento, a higiene, o cuidado, a proteção, o carinho, o colo… olhar isso e não lembrar de tudo aquilo que Deus faz por nós sem nem mesmo que nós percebamos, seria ingratidão, no mínimo.

Assim, reconhecendo que da mesma forma que minha esposa e filha precisam de mim (e eu delas), sigo na certeza de que necessito do Senhor: de Seu amor, misericórdia e graça, para que possa prover para a minha casa. E também preciso que o Senhor guarde minhas queridas de formas que eu não posso.

Que esta lembrança constante seja um impulso para que eu O busque cada vez mais. E que vocês, amigos, também O busquem: talvez não para serem melhores pais… mas talvez para serem melhores filhos, maridos, esposas, e assim por diante.

Seja Cristo exaltado para sempre. Ele a Glória.