Ser independente

Tem dias que eu fico extremamente animado com o fato de ter uma banda, compor músicas legais, poder planejar a gravação de um CD, e assim por diante. É ótimo ter acesso a sites e artistas que estão na mesma situação, desejam permanecer sem um contrato de gravação, ou ainda não tiveram essa oportunidade.

Mas o que mata é que, do nada, a gente lembra que está no Brazil, e aqui, assim como não existe neve, não existe uma cultura independente no meio evangélico.

Deixem-me refazer essa frase: existem sim artistas independentes, que inclusive vendem muito bem. Mas quando me refiro a uma cultura independente, quero falar de uma cultura que gere e movimente o surgimento de novos artistas.

Um exemplo. Alguém aí sabe o que é um EP? Indo além, depois de descobrir que um EP é um CD que contém 3, 4, 5, até 7 músicas (quando muito), você compraria esse CD EP? Você investiria na obra, no ministério desse artista?

Outro problema é a questão de distribuição. As lojas evangélicas não têm abertura para esses novos artistas, que na cara e na coragem, bancam a gravação de seus CDs. E mesmo assim, quando abrem esse espaço, é sob a forma de consignação, ou seja, o artista só vê um retorno bem lá na frente.

OBS.: Mesmo assim, graças a Deus pelos lojistas que mantém a mente aberta a novas possibilidades e se interessam (além do lucro, o que é óbvio neste caso) em apoiar novos artistas e ministérios.

No Brasil, ao contrario do resto do mundo ocidental, não há lugares, além das Igrejas, onde um artista / ministério possa mostrar seu trabalho. As lojas de produtos evangélicos não abrem suas portas para pequenos eventos acústicos, não há restaurantes e bares, ambientes cristãos, onde os músicos possam apresentar-se.

E, ainda que haja espaço apenas nas Igrejas, de que adianta, se ninguém te chama caso você não seja conhecido?

A questão é: o que fazer então? Há uma linha muito tênue entre mostrar-se e prostituir-se. Como chegar a essa linha sem ultrapassá-la? E ainda há questões sobre a vontade de Deus, “A Vida, o Universo e Tudo Mais”*.

De qualquer forma, enquanto não tocamos e enquanto não temos as respostas, vamos ensaiando, eu vou compondo, pensando na gravação… e todos aprendemos, crescemos e nos divertimos.

AH, ANTES QUE ME ESQUEÇA:

Deixe um comentário… 😀

Abraços,

Duda

* Referência ao livro homônimo de Douglas Adams, autor Britânico que escreveu a premiada série “O Guia do Mochileiro das Galáxias”.

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7 thoughts on “Ser independente

  1. Duda BroVoce tá no caminho certo, inda mais por ter onde desabafar. Tem muita gente precisando trilhar esse caminho (que reconheço não é facil) e nem consegue desabafar.Há um outro lado. A internet é o melhor espaço pra se chegar lá. Ás vezes leva tempo – mas um passo após o outro …Divulgue a letra (parte dela) e alguns comentários sobre a música – já é uma forma de gerar interesse, criar curiosidade …Outro dia discutimos sobre a poesia evangélica. “Será que não temos novos talentos?” foi a pergunta da vez.Sucesso!VolneyP.S. – BTW – vc já leu http://www.cluetrain.com ?

  2. Volney, obrigado pelas palavras.Eu pensei em fazer isso, postar as letras das músicas, mas como algumas ainda não estão registradas, achei melhor não arriscar.Ainda não conhecia o cluetrain… gostei muito… vou dar uma lida com mais calma durante a semana que vem – essa semana aqui no trabalho começou e está terminando caótica.Um grande abraço!Duda

  3. olá Eduardo! cheguei no seu blog através de um comment que você deixou no blog do Andrew Osenga.me identifiquei com teu post, pois apesar de não ser músico (no máximo me arrisco como técnico de som meia-boca na igreja), sou um grande fã de música, e de “independência na música” (leia-se música feita com honestidade, sem inclinações comerciais, fazendo música sem ter o mercado em mente). Infelizmente, (na minha opinião) o meio cristão no Brasil carece disso, e aqueles – como eu – cujo gosto musical não se adapta aos Diante do Trono ou Vineyard da vida ficam a ver navios em termos de música cristã. Confesso que um dos únicos músico cistãos brasileiros que eu admiro (musicalmente falando) é o João Alexandre. e em termos de música internacional, fiquei “órfão” quando o Five Iron Frenzy acabou…abraçoAndré

  4. Rapaz, o melhor disso tudo é o fato de passar essas coisas contigo e com a banda. O pior…bom, nós vamos passando juntos nem sentimos.Abração.

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