Texto do Jornal Batista

Umas três ou quatro semanas atrás eu fui convidado pelo Fábio, editor do Jornal Batista, a escrever um texto falando sobre a relação dos jovens com os hinos, essas coisas. Não sei se posso ou não, mas disponibilizo aqui o texto para aqueles que não são batistas (ou, sendo batistas, não lêem o Jornal Batista). O texto sofreu algumas (e necessárias) edições do Fábio e foi publicado, creio há dois domings atrás.

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O que o jovem pode aprender com os hinos?
Eduardo Mano – Casado com Eline Linhares e membro da IB Orla Sul

Meus pais contam a história de que, quando pequeno, eles e minha avó materna precisavam gastar algumas horas para me fazer dormir. Uma das soluções que encontraram foi me deitar de bruços sobre um dos braços, apoiar o Cantor Cristão sobre as minhas costas e cantar, hino após hino, até que eu finalmente dormisse.

Ao contrário do que um amigo sugeriu recentemente, isso não fez com que toda vez que eu ouvisse um hino logo pegasse no sono. Mas acho que vem daí o meu amor pela tradição musical batista.

Tenho 30 anos e, assim como a maioria dos meus amigos nessa mesma faixa etária, participei de diversas fases da música dentro da igreja. Cresci com os hinos, tive a benção de ouvir e ser influenciado pelo trabalho do grupo Vencedores por Cristo e pela turma que saiu dessa grande escola, vi quando a música “gospel” começou a estourar na década de 1990, acompanhei o surgimento da segunda onda do movimento de adoração nas igrejas e estou atento ao que está por vir.

O que aprendi disso tudo foi uma triste lição: nós, jovens batistas, temos pouco apreço por nossa tradição musical e pouco fazemos para entendê-la e propagá-la. Não me refiro apenas à tradição da música coral, mas ao louvor congregacional e à utilização de hinos no período de adoração cantada em nossos cultos.

Durante muitos anos fui membro de uma igreja tradicional, que aos poucos foi adequando o estilo de culto e hoje adota algo entre o tradicional e o contemporâneo. Algo que me deixa muito feliz lá é que os hinos são cantados com alegria e vontade. Não poucas vezes fiquei emocionado com as verdades bíblicas entoadas por aquelas vozes. Hoje sou membro de uma igreja jovem, com 10 anos de fundação, onde o estilo de culto é o contemporâneo, mas os hinos não foram esquecidos e são executados com arranjos modernos. Creio que esses são exemplos de como deveríamos tratar a música na igreja: com equilíbrio. Afirmo isto principalmente quando constato que temos uma baixa qualidade teológica entre os cânticos compostos nos dias de hoje.

Eu tenho uma banda, e como banda, eu e meus companheiros temos ido a algumas igrejas ministrar o louvor e algumas vezes também trazer a palavra (dos quatro membros da banda, três são ou foram estudantes de teologia). Dentro de nosso repertório fizemos arranjos para alguns hinos. Além disso, algumas de minhas composições têm estrutura semelhante a hinos. Algo que acho interessante é que os hinos e as músicas semelhantes a hinos têm uma excelente resposta das igrejas – seja pelo fato de fazerem parte da história das mesmas ou por gosto apenas. Não é raro alguém nos elogiar por mantermos os hinos vivos de alguma forma.

Creio que parte do descaso dos jovens com os hinos se dá pela aparente falta de apelo “pop” dos mesmos. Afinal, muitos dos compositores de hinos estão mortos, o que torna pouco provável sua aparição na mídia “gospel”. Além disso, muitos hinos tratam de assuntos “difíceis” como pecado, arrependimento, morte e transformação, temas nem sempre bem recebidos pela juventude cristã “pós-moderna”.

As verdades expressas nos hinos e verificadas na Bíblia permanecem e perduram nos dias de hoje por serem tão carregadas do sentimento de louvor e adoração a Deus. Ao não cantá-los, quem sai perdendo somos nós mesmos. Se quisermos ser relevantes para o mundo à nossa volta, precisamos encontrar a comunhão através da adoração a Deus entre nós, que somos corpo. Muitas vezes, no afã de conseguirmos novas almas, esquecemos de dar graças e ter comunhão por aquelas velhas almas que estão ao nosso redor aos domingos. Quando as gerações – velhos e novos – puderem cantar a uma só voz que “ao que está assentado no trono, e ao cordeiro, seja o louvor, e honra, e glória e o poder para todo sempre” (Apocalipse 5.13), então estaremos prestando nosso culto racional, equilibrado, onde gostos e preferências não têm vez, e sim a vontade em cada um de ver Cristo exaltado e glorificado para todo sempre.

Que nossos corações nunca percam o foco, que é Cristo.

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Espero que a reflexão sirva para os irmãos. Forte abraço!

Eduardo

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