Eric Peters, Chrome – matéria

Matéria da Relevant Magazine (link original, em inglês) sobre o lançamento do disco Chrome, de Eric Peters. Há alçgumas lições preciosas para nós, artistas independetes, nessa matéria. A tradução é minha e não teve revisão, portanto conte com alguns erros.

Eduardo

Tentar fazer uma peça quadrada entrar em um buraco redondo funciona tanto quando descrever Kanye West como humilde. A Square Peg Alliance, um coletivo artístico que engloba alguns notáveis como o sempre controverso Derek Webb e o membro do Caedmon’s Call Andrew Osenga, acolhe rebeldemente esta definição. Um grupo de deslocados que não se encaixa perfeitamente no mercado cristão nem no secular, e acabaram encontrando um lar entre si mesmos.

A comunidade recentemente se uniu para apoiar o lançamento do sexto álbum de Eric Peters, Chrome. Se você está se perguntando “Eric quem?”, há grandes chances de você não estar sozinho. Ainda assim, a honestidade sincera e a produção esmerada (graças a outro membro da coalizão, Bem Shive) raramente deixam o ouvinte desapontado.

Peters merece destaque na cena já populosa dos cantores e compositores folk pop. Mas ao contrário de Webb, que teve seu último trabalho (Stockholm Syndrome) lançado pela INO Records, Peters é completamente independente. Isso significa que financiamento, produção e lançamento são completamente por conta dele. Então, o que um cara com uma esposa, filhos e uma hipoteca deve fazer?

Peters escolheu o “caminho mais fácil”: ele pediu ajuda aos fãs para pagar por tudo isso. Embora Chrome tenha sido feito com um orçamento mínimo, Peters solicitou o patrocínio de seus ouvintes para financiá-lo. Ainda que apenas US$8.000 dos US$15.000 necessários para a produção tenham sido angariados, Peters diz que sem isso, Chrome nunca teria sido realizado.

“Agora que eu tenho o disco em mãos, e sabendo das condições financeiras da minha família, eu não sei se poderia ter desembolsado esse valor”, disse Peters. “Eu definitivamente acho que foi providencial ter os fãs envolvidos. Foi facilmente o menor orçamento que já tive para fazer um disco”.

Seguindo os passos de outros artistas independentes, como Jill Sobule, cujo orçamento de US$80.000 excedia em muito o de Peters, os fãs foram desafiados a doar antecipadamente, em troca de duas cópias do CD e seus nomes nos agradecimentos. Embora não esteja clamando o fim das gravadoras, Peters imagina que outros artistas possam também seguir o mesmo caminho.

“Não acho que sou o único que pode fazer isso”, disse. “Não estou dizendo que essa é a onda do futuro, mas creio que pode ser feito se os artistas tiverem um bom relacionamento com seus fãs, especialmente os mais entusiastas, que os seguiriam mesmo nas épocas mais complicadas”.

Administração de risco não é exatamente o forte de nenhum artista, mas ainda assim esse forma única de financiamento é um jeito de artistas independentes se preocuparem menos com a parte financeira e focarem no projeto em mãos.

“Às vezes me pergunto se as pessoas entendem o investimento que estão fazendo”, comentou. “Não vou colocar os artistas independentes em um pedestal e dizer ‘ai de nós’, mas o sacrifício e riscos envolvidos são tremendos. Se você observa apenas de um ponto de vista financeiro, não há garantias. Normalmente eu levo de um a dois anos para me recuperar completamente”.

A beleza geralmente nasce da dificuldade e Chrome não é exceção à regra. Sob os olhares de Shive, o conteúdo lírico obscuro foi cheio de luz musical. Músicas “pra cima” nem sempre são um reconhecimento honesto de que a vida é dura e as coisas nem sempre funcionam da forma que sonhamos.

“Eu estava sempre pedindo desculpas ao Ben pelas músicas serem tão tristes”, Peters conta em meio a risos. “Elas de fato são, mas ele ouviu melodia em meio a elas. E essa é uma das belas coisas na arte, pois uma pessoa como Bem pode pegar essas melodias e fazê-las funcionar. A primeira vez que as pessoas ouvem um disco, elas não irão se lembrar das letras; serão atraídas ou repelidas pela música”.

“Quando você ou Chrome em seu carro, com as janelas abertas e o vento assobiando no seu ouvido, o disco não vai fazer aquilo que pode por você”, diz Peters. “Mas se você consegue separar 45 minutos e coloca os fones de ouvido, as sutilezas ganharão vida. Eu não escrevo de forma clara, não sou profético nem a próxima descoberta musical, mas espero que as pessoas estejam dispostas a investir algum tempo em minha música. Talvez elas descubram algo a respeito de si mesmas ou de sua fé, ou de toda besteira que a vida nos traz”.

Eric Peters tomou as palavras de Frederich Buechner como tema de Chorme: “a história de qualquer um de nós é, em alguma medida, a história de todos nós”. As histórias contadas em Chrome são pessoais, mas com temas que são maiores que um indivíduo. No final, é a história que importa, não quem a conta.

“Estou apenas tentando contra a minha história da melhor forma possível, e espero que as pessoas possam se relacionar com isso”, diz Peters, falando da natureza pessoal do disco. “Por exemplo, um amigo meu passou por uma falência e disse a deus para ir pro inferno em meio a tudo. Eu não sei o que ele passou, mas certamente sei o que é tratar com amargura, tratar com o desapontamento e os momentos duros de dúvidas. Às vezes um pequenino grão de esperança é tudo o que tenho. A esperança ergue sua cabeça em meio a uma história terrível e Deus aparece para redimir, trazer a vida de volta”.

Esse tema até mesmo se estende à arte do disco. “David van Buskirk (o artista) veio com a idéia de um guarda-chuva aberto, com chaves caindo sobre ele, e um cadeado debaixo dele, e o cadeado está fechado. Nossas histórias são inúteis se as guardamos para nós mesmos. Creio que a idéia é que no compartilhar e no ouvir as histórias das pessoas, nós inevitavelmente encontramos algo de nós mesmos nessas histórias”.

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