Mais um EP. É necessário?

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Aos desavisados, eu estou gravando um novo EP. Ao todo serão 6 faixas, sendo que uma é a regravação de um hino. Já falei em inúmeras outras oportunidades o quão relevantes os hinos ainda são – sim, sou bem categórico nisto -, e pretendo fazer disso um hábito: regravar um hino a cada novo trabalho meu.

Pretendo lançar o EP no início de abril, se Deus assim permitir. E embora não haja problema nenhum no fato de eu usar meu próprio site para fazer propaganda de um novo lançamento, não é sobre isso que eu gostaria de falar.

Há mesmo a necessidade de eu (ou ainda, qualquer outro músico) gravar um novo trabalho?

Creio que a resposta seja sim, especialmente quando falamos em música cristã (e mais especialmente ainda quando pensamos naquilo que algumas gravadoras têm despejado no mercado). Mas uma resposta mais elaborada a esta pergunta é a seguinte: sempre – SEMPRE – precisaremos de músicas que nos lembrem da realidade de nossa vida cristã e da nossa necessidade de um relacionamento profundo com Deus.

Pense nos Salmos. Há Salmos de todos os tipos, com diferentes nuances. Há salmos que exaltam a Deus e Seu poder criador. Há salmos que falam do anseio íntimo do salmista por Deus. Há salmos que dizem que os inimigos de Deus prosperam enquanto os Seus servos padecem. A lista é extensa. E extensa é a variedade de sentimentos e momentos que vivemos em nossa vida cristã.

Muitas vezes o que a música gospel vende é uma vida monótona. Uma vida que pensa e enfatiza apenas um aspecto de nosso relacionamento com Deus – e geralmente é o aspecto vitorioso, onde tudo vai bem… o “gospel way of life“. Só que a realidade não é bem assim. Pessoas adoecem. Muitas morrem. Empregos são perdidos. Filhos nascem e trazem consigo desafios. Relacionamentos são iniciados e terminados. Amizades são desfeitas. Arrisco dizer que boa parte de nossa vida é vivida debaixo do cinza, e não das cores vivas da alegria. E creio ser um problema grave quando este cinza de nossas vidas não é confrontado com a Verdade das Escrituras. Explicarei melhor isso.

Se boa parte de nossas vidas comuns é vivida no cinza, na incerteza, precisamos desenvolver uma prática de adoração que seja coerente com esses momentos, para então podermos, confrontados pela realidade da Palavra de Deus, nos regozijarmos com uma das grandes realidades que a Bíblia quer nos apresentar: Deus, e somente Ele, deve ser nosso prazer e alegria.

Muitas vezes, ao chegarmos ao culto de domingo em nossas igrejas (pois sejamos realistas: poucos cristãos desenvolvem o hábito de participar de grupos pequenos durante a semana), as aflições de nossos corações não são apaziguadas por aquilo que cantamos. Na verdade, podem ser até mesmo pioradas. Ao invés de cantarmos sobre a realidade de encontrarmos descanso em Deus quando lançamos nossas aflições sobre Ele, cantamos que viveremos mudanças radicais em nossas vidas (geralmente de ordem financeira). Só que muitas vezes, não há indícios que uma mudança destas realmente venha. E de fato, talvez nem mesmo Deus tenha isso planejado para nossas vidas. E a angústia apenas continua.

Em João 6 nós lemos um relato fantástico a respeito de como muitos dos judeus da época de Jesus o viam como um utensílio, um bem de consumo. Em primeiro lugar, nos versos 1 a 15, vemos a primeira multiplicação de pães e peixes. Algo fantástico, extraordinário… um milagre sem precedentes. Só que poucos versos depois, em João 6.22-59, vemos que muitos dos judeus que estiveram multiplicação dos alimentos atravessaram o mar em direção a Cafarnaum em busca de Jesus. E Cristo sabia o intento de seus corações. Ele diz, em João 6.26: “Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e ficastes satisfeitos”.

É exatamente isto que temos feito, domingo após domingo. Temos ido a Jesus não por quem Ele é, mas sim pelos benefícios que poderíamos ter. E a música que é executada nos cultos de inúmeras igrejas pelo Brasil e pelo mundo tem enfatizado isso, esta busca utilitária por Deus, como se Ele fosse um caixa eletrônico onde simplesmente depositamos pedidos e retiramos bênçãos.

A música cristã deveria ter o papel de colocar tudo na perspectiva correta. E qual é esta perspectiva? A de que nossa maior fonte de alegria e prazer deveria ser encontrada em Deus, Nele apenas. Não no que Ele nos dá, pois como aprendemos com Jó, “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1.21)

Toda música cristã, mesmo a que parece triste por ser escrita e cantada em tons menores, deve apontar para a fonte máxima de alegria e prazer nesta vida e na próxima: Jesus. E por isso que sim, vale a pena lançarmos mais músicas cristãs que exaltem a Cristo e ofereçam uma resposta às áreas cinzentas e nebulosas da vida, onde as incertezas por vezes são grandes, mas não podem esconder a mão de Jesus a nos guiar por meio dos vales e desertos.

Que Deus nos abençoe sempre com Sua presença.

Eduardo Mano

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