Fleet Foxes e como as coisas são

Ainda estou em Manaus. Anyway…

Enquanto estava na viagem missionária, em um dos momentos em que tivemos sinal de celular, consegui ler alguns tweets, e vi o seguinte:

“It has leaked” (vazou o disco)

e logo depois,

“I’m glad it leaked, but kinda bummed because I wanted the winner of the Japan auction to hear it first. Seems less valuable now. Hrm.” (Estou feliz que o disco tenha vazado, mas estou um pouco chateado pois queria que o vencedor do leilão feito no Japão  fosse o primeiro a ouvir o disco. Parece ser menos valioso agora. Hrm.)

Os Fleet Foxes, banda que detém, hoje, 1º, 2º e 3º lugares  na minha lista de predileções musicais, é do selo Sub Pop. Não conhece? Nunca ouviu falar? Pois saiba que a Sub Pop foi / é um dos selos mais importantes da história (sim, história) da música, simplesmente por ter lançado, nos anos 90, discos de bandas como Nirvana, Soundgarden, The Jesus and Mary Chain, L7, dentre muitas outras.

E o que há de tão fantástico nisso tudo?

Essa é minha leitura, então não julgue que essa é TODA a verdade, mas aí vai: creio que há uma mudança de paradigma acontecendo, no tocante à relação bandas / gravadoras / propriedade intelectual / vendas, etc… e acho (veja bem, ACHO) que há uma necessidade de ambas as partes se reajustarem às coisas. Não sei se o vazamento do disco dos Fleet Foxes foi jogada de marketing (até porque o link de torrent ainda está ativo), fato é que o disco está aí para quem quiser baixar, e o dono do material intelectual, o compositor da coisa toda, GOSTOU de ver que o disco tinha vazado e que as pessoas estavam gostando disso.

Eu sinceramente não creio que a distribuição gratuita de seu material via online signifique automaticamente que você vá vender menos CDs. A qualidade do design, a criatividade na embalagem ainda vendem – e vendem bem. Basta lembrarmos que vários (e por vários eu realmente quero dizer MUITOS) fãs da banda Nine Inch Nails, do Trent Reznor (cara esse que ganhou o Oscar de melhor trilha sonora pelo áudio de A Rede Social) financiaram a gravação do últimos disco da banda, em troca de bônus inacreditáveis. Gente que pagou mais de trezentos dólares para ter um material tão exclusivo, mas tão exclusivo, que não está mais disponível para venda, e não haverá reimpressão do mesmo. Hoje, os Nine Inch Nails são uma banda independente, sem apoio de uma gravadora, que disponibiliza parte de sua discografia gratuitamente em seu site e que se mantém através da ajuda dos fãs. Claro que eles já eram uma banda famosa antes disso, mas o que importa é que há algo mudando na relação bandas / gravadoras / fãs, e todos podem e beneficiar disso.

Claro que muito disso não se aplica, por exemplo, a mim. Não tenho o número de apreciadores (me incomoda a palavra fã) que muitas outras bandas têm, e financeiramente o retorno é só o bastante para continuar fazendo mais CDs, mas ainda assim a cada dia o boca-a-boca e a ajuda dos amigos têm trazido aquilo que mais deveria importar para um novo artista: gente interessada em ouvir o som.

Gostaria de ver mais bandas atentas a estas mudanças… e ministérios também. Principalmente estes, que deveriam se preocupar muito mais com a expansão do Evangelho e do reino do que com o enriquecimento, que nem sei se é tão lícito assim.

Fico aqui na minha digressão. Foi um prazer.

Um abraço,

Eduardo Mano

PS: É CLARO que baixei o CD dos Fleet Foxes. E caso o encontre por um preço justo, e não os 70 reais cobrados em algumas lojas do Rio, compro o CD no ato.

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5 thoughts on “Fleet Foxes e como as coisas são

  1. Olá Eduardo, tenho acompanhado seus posts. Uma coisa que não entendi: você baixou depois ou antes que soube que os próprios caras tinham consentido com o “vazamento”? Obrigado.

    • Olá Jonas!

      Então, eu já estava procurando pelo disco antes dele vazar, na verdade. Mas deixei de lado por um tempo, esperando pelo lançamento “oficial”. Só voltei a procurar pelo disco quando vi o aviso do vazamento feito pelo líder da banda.

      Mas gostaria de dizer mais algumas palavras. Já há algum tempo decidi que, caso baixasse um disco do qual realmente gostasse, eu iria adquirí-lo mesmo que precisasse comprar via Amazon (até pq, em alguns casos, vale mais a pena comprar por lá mesmo). Se não gostasse do disco, ia simplesmente deletá-lo. Alguns discos que adquiri neste método foram os dos Mumford & Sons, Phoenix e o último do Palavrantiga. Lógico que ainda faltam alguns discos a serem comprados, mas estou seguindo à risca o plano.
      Nenhum artista é obrigado a dar seu material de graça, embora eu, como disse, creia que há alternativas a isso, de forma a beneficiar a todos (artista, gravadora e fãs), mas todo artista tem direito a “algo” por seu trabalho. Seja mais audiência / fãs ou seja dinheiro mesmo.

      Espero ter ajudado. 😀

      Eduardo

  2. Olá Eduardo, obrigado pelo esclarecimento. Fiz a pergunta não para colocar você contra a parede, mas porque gosto tanto de música quanto me preocupo com a questão da legalidade de se baixar música e outros conteúdos. Quando a coisa “liberar geral”, vou ter que comprar dúzias de HDs externos para guardar tudo o que eu baixar. Enquanto isso não acontece, tenho tentado fazer como você, comprando o que baixo e gosto, e deletando se não vou comprar.

    Mas sei que a coisa é complicada. Os artistas que mais gosto não disponibilizam nada do que fazem, e as lojas de MP3 não funcionam muito bem quanto a vender para o Brasil. Parabéns por disponibilizar seus discos.

    É isso aí. “Vamo que vamo”, pela música, por uma ética cristã, e acima de tudo, pelo próprio Cristo.

    Grande abraço

    Jonas Braga

  3. Pingback: Mercado da Música. E eu com isso? |

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