Novo velho EP

Há alguns dias eu publiquei no Instagram que havia encontrado fotos e as gravações que fizemos há 6 anos atrás. Era o EP Mais Vale um Dia Vale Mais. Foi o último registro que fizemos como banda completa, e esse material ficou esquecido por anos. Por muito tempo, pensei que era necessário mandar as faixas para alguém qualificado editá-las, e deixei o CD para lá. pensava que não poderia realizar este trabalho.

Pois bem, pensava.

Como vocês sabem eu sou mexedor de áudio, e conversando com um amigo, me propus ao menos tentar. Certamente o resultado será diferente do que seria obtido tendo um profissional mexendo nas faixas, mas imaginei que, se já fiz isso uma vez, poderia fazer novamente.

Bom, são 4 faixas. Já falei sobre elas anos atrás, mas como durante esse tempo algumas foram usadas, vale o registro.

• Fonte és Tu de Toda Benção – Hino clássico que tocávamos muito antes do período de 2008 para cá. A versão do EP é uma releitura do hino, com a linha melódica reescrita. Creio que lancei uma versão desse material em voz e violão no Soundcloud em algum momento da minha vida.

• Refúgio Inabalável – Era para ter sido a estréia da música, mas acabei lançando uma versão dela no Ergo Meus Olhos. De qualquer forma, creio que esta versão será mais interessante, com banda.

• Uma Nova Canção – Outra que lançamos pouco depois da gravação, sem maiores mexidas. Esta música está originalmente no Canção para Grupos Pequenos, e esta versão, para mim, é a definitiva. À época, achávamos que ela tinha um quê de Sigur Rós. Creio que estávamos errados.

• Tua Graça, Senhor – Acabei gravado esta música no Voz Como o Som de Muitas Águas, e gosto muito daquela versão. Esta é um bocado diferente, mas  basicamente por conta dos elementos. Há alguma diferença nos arranjos, mas nada absurdo.

Estou tão animado com ele agora quanto estava animado com ele no dia em que o gravamos. Foi um dia muito especial. Estávamos entre amigos, com gente amiga participando do processo. Foi uma pena o material ter ficado tanto tempo esquecido, mas espero que essa redenção dele sirva para os propósitos eternos de Deus.

“Mas Eduardo, como lançar músicas que já haviam sido lançadas podem servir aos propósitos eternos de Deus?”

Bem, meu caro amigo irônico, das seguintes formas: há pessoas que não conhecem ainda as versões originais destas músicas, e podem ser abençoados por elas, por sua mensagem. Há pessoas que por não gostarem do formato em que foram lançadas originalmente não deram atenção a elas naquela época, e que agora, com esta roupagem, podem ser abençoadas. Há pessoas que gostaram das versões originais e foram abençoadas por elas, mas por serem antigas, já não as ouvem mais. O interesse em ouvir estas novas versões pode abençoá-las com aquilo que, um dia, já foi benção.

É tudo Dele, por Ele e para a glória Dele.

Soli Deo Gloria

eduardo

Sabia que o disco novo tem encarte?

Os tempos são outros. Quando eu era novo e comprava LPs (antes, muito antes do recente revival que o vinil experimentou), o grande barato (gíria de velho) era colocar o disco para tocar e acompanhar as letras no encarte, grandão, que acompanhava o disco. Anos depois, com o CD, o impacto não era o mesmo mas o ritual seguia: CD no player e encarte (pequenininho) na mão.

Mas hoje temos o Spotify, Deezer, Apple Music e outros. Como ficamos nós, os da velha guarda?

O Ergo Meus Olhos é o primeiro disco que lanço sem mídia física. Gostaria de dizer “por enquanto”, mas creio que esta decisão será definitiva. Só que, paradoxalmente, este foi o disco no qual mais trabalhei para ter um encarte digno. Acontece que, como poucos baixaram o MP3 do disco (que está aqui), quase ninguém sabe deste encarte. Por isso, usei a tal da tecnologia e fiz o upload do arquivo no issuu. Segue o livreto aí em baixo. E dá pra baixar – aviso para os que queiram.

Espero que gostem!

Eduardo Mano

Lançamento – Ergo Meus Olhos

Bem amigos… eis que chegou o dia. Hoje é o lançamento do meu novo disco, Ergo Meus Olhos. .

Vocês já sabem o roteiro. Tem download grátis do disco? Tem. Está nas plataformas de streaming? Está*. Tem encarte maneiro com letras, fotos e textos? Claro! Tem hino? Sim! Eu canto com minha esposa? Óbvio!

https://open.spotify.com/embed/album/77D4XKUfKGxpOWqjR05KSr

Algumas palavras são necessárias.

Este é meu disco mais “estranho”. Tenha isso em mente. O disco é um lançamento da FlorCaveira, com produção do Tiago Cavaco e com um trabalho lindo de mixagem e masterização do Max Folgado. Mano, Cavaco e Folgado. Se esse não for o disco com o maior número de sobrenomes diferentes já lançado no mundo, por favor, me digam qual é. Mas voltando à estranheza.

Ninguém espera de mim uma mega-produção fonográfica. Mas neste disco, os padrões de gravação são da FlorCaveira. Tudo foi gravado ao vivo (eu toquei e cantei ao mesmo tempo). Não fizemos overdubs (ou seja, não regravamos nada) e as faixas têm suas determinadas sujeiras.

As letras talvez sejam as mais congregacionais que já lancei. Fico feliz em escrever isto.

Como sempre, minha oração é que estas faixas sirva para a glória de Cristo e para o crescimento espiritual do povo de Deus. Se Deus permitir assim, está ótimo.

Se você gostar, compartilhe.

Um abraço, e que nosso Deus seja glorificado.

Eduardo Mano

Paternidade e Dependência

Escrevi o texto abaixo em 10 de novembro do ano passado. Sarah tinha 1 mês e uma semana e ainda tínhamos problemas com a hora de dormir. Achei o texto hoje e pensei em compartilhá-lo com vocês.

Escrevo este texto enquanto assisto (ou tento assistir) ao filme Gladiador. Devo ter visto este filme uma dezena de vezes, inclusive no cinema, à época do lançamento. Foi o filme que me apresentou ao ator Russell Crowe, de quem tornei-me apreciador. Mas não é esse o ponto.

Esta é a primeira vez que assisto a esse filme enquanto cuido de Sarah, enquanto ela dorme. Ou tenta dormir, o que já é alguma coisa. E ao assisti-lo desta vez, reparei em uma fala do personagem principal – Maximus – que havia passado em branco das outras vezes. A frase, em tradução livre do inglês, seria essa:

“Bendito Pai, guarda minha esposa e filho com uma espada pronta”.

Achei curioso. Desde que Sarah nasceu, há uma frase em minhas orações que tem sido uma constante: “Senhor, guarda a Eline e a Sarah. Confio em Ti para isso, pois não sou capaz. Me dê capacidade para isso”. Não é um mantra, embora não passe um dia sem que eu ore isso, dentre outras coisas. É um reconhecimento de inaptidão. Há coisas que eu não posso fazer. Preciso, PRECISO entregar todas elas nas mãos de Deus, que detém todo o poder neste universo.

Este é um tema recorrente para mim. Eu já havia escrito algo nessa linha quando compus Casa na Rocha. Mas viver o dia a dia de uma casa com uma criança tão nova, tão indefesa e tão dependente, me leva a perceber o quão incapaz eu sou de prover tudo aquilo que elas – Eline e Sarah – precisam. Não é apenas o teto, o alimento, a cama: é também o sustento e liderança espiritual, a centralidade das Escrituras, e a demonstração do amor de Deus.

E como tenho falhado em muitos destes aspectos…

A paternidade fez com que eu entendesse aspectos de nosso relacionamento com Deus que, de outra forma, não seria possível entender. Vermos uma criancinha que precisa que façamos tudo por ela: o alimento, a higiene, o cuidado, a proteção, o carinho, o colo… olhar isso e não lembrar de tudo aquilo que Deus faz por nós sem nem mesmo que nós percebamos, seria ingratidão, no mínimo.

Assim, reconhecendo que da mesma forma que minha esposa e filha precisam de mim (e eu delas), sigo na certeza de que necessito do Senhor: de Seu amor, misericórdia e graça, para que possa prover para a minha casa. E também preciso que o Senhor guarde minhas queridas de formas que eu não posso.

Que esta lembrança constante seja um impulso para que eu O busque cada vez mais. E que vocês, amigos, também O busquem: talvez não para serem melhores pais… mas talvez para serem melhores filhos, maridos, esposas, e assim por diante.

Seja Cristo exaltado para sempre. Ele a Glória.

Velhas Verdades em Castellano

No início de 2015 eu e Eline fomos ao Chile para conhecermos o campo daquele país e conhecer os irmãos da Iglesia Uno, que nos recebeu tão carinhosamente. um dos pontos altos desta ida ao país foi poder servir à Igreja chilena (especialmente a presbiteriana) através da música.

Contamos com a ajuda do amigo Jonathan Muñoz, pastor da Iglesia Uno, para traduzir duas canções: Tu és Deus e Como Ninguém me Conheces. As tocamos onde fomos e pela graça de Deus tivemos boas respostas a elas. Em uma das vezes, conseguimos gravar o áudio da execução da música, e disponibilizamos o MP3 para quem quiser baixar no bandcamp, e em streaming em serviços como o Spotify e o Deezer.

2 anos depois, descubro um vídeo de um irmão chileno tocando Como Ninguém me Conheces (Como Nadie me Conoces), e através desse vídeo, soube que a música foi tocada em um retiro de jovens cristãos. Os vídeos estão aí em baixo.

Tudo o que fazemos é para abençoar a Igreja de Cristo. E é bom saber que a Igreja de Cristo em outros países, e em outras línguas, pode se beneficiar de algo que Deus nos concedeu.

Glórias a Deus por isso. A Ele toda Honra.

Casa na Rocha

Para nós cristãos, a diferença entre um homem prudente e um homem imprudente reside no local onde ele firma seus pés. Há aqueles que firmam seus pés em terrenos inseguros, movediços, traiçoeiros. Estes, imprudentes, fixam seus olhos naquilo que é momentâneo e fugaz, deixando de lado o que é duradouro. Já aqueles que põe os seus pés em solo firme, seguro, na rocha, têm a confiança e a garantia de que, venha a tempestade ou a bonança, sua base é firme.

Lemos a parábola dos dois alicerces contada por Jesus, e percebemos que não é interessante construir nossa casa sobre a areia. Sabemos que nossas vidas precisam estar fundamentadas em Cristo, para assim termos a segurança de não sermos abalados por aquilo que encontramos ao longo da vida. E neste contexto, é fácil perceber como é importante que nossas famílias estejam bem fundamentadas na Rocha, de forma que, em tempos bons ou ruins, possamos ter plena confiança no arrimo de nossas vidas.

Casa na Rocha é a canção que escrevi para falar de meu casamento com Eline. Eu a compus enquanto morávamos em Manaus, como um reconhecimento de que eu só poderia ser um bom marido para a minha esposa se minha confiança e amor estivessem plenamente depositados em Cristo. Afinal, se aquilo que é requerido de nós maridos é que amemos nossas esposas “assim como Cristo amou a Igreja e entregou-se a Si mesmo por ela” (Efésios 5.25), é apenas amando e confiando em nossos Senhor que conseguiremos cumprir esta ordem.

Hoje, enquanto aguardamos a chegada de nossa filha, Sarah, esta música tem se tornado meu hino pessoal. Minha casa está sobre a Rocha, a construi com temor. Não sou eu que a sustento, mas sim o Senhor. Esta convicção está cada dia mais firme em meu coração; é Ele o sustentador de nossas vidas. É Ele quem cuida de Eline durante toda a gestação (e ainda cuida), e é Ele quem cuida e tece com maestria a vida da Sarah no ventre da Eline. Dependessem elas de mim, estariam perdidas! Mas que grande Salvador nós temos – tanto elas quanto eu dependemos do poder e companhia de Cristo em nossas vidas.

Que grande conforto temos em saber que nossas vidas estão guardadas nas mãos de Deus, e que Ele nos sustém com amor, misericórdia e graça. E por isso, podemos cantar: Minha casa e eu serviremos ao Deus que cuida dos Seus, e que com graça sustenta quem ama as Suas leis.

A Ele seja a glória eternamente. SDG!

Eduardo Mano