O Rock na Argentina

Uma das coisas que me impressiona aqui na Argentina (além dos alfajores, das carnes, a arquitetura, da beleza do país, etc…) é a força que o Rock tem entre a juventude, e não apenas entre a juventude, já que qualquer pessoa com mais de 35 anos é fã do estilo. Sei disso por dois fatores:

1 – Há mais rádios tocando rock na cidade de Buenos Aires do que se pode acompanhar. E por rock, eu me refiro a rádios especializadas em rock dos anos 60, 70, 80, 90 e do novo Rock. Ainda se compra muito disco por aqui (vinil e CDs), e nas lojas, há vasta publicidade (em catellano) para os novos lançamentos de bandas de rock (e poucos para bandas de pop). O clube The Cavern (se não conhece, joga no google) abriu sua primeira filial fora da inglaterra aqui, onde há também um museu dos Beatles e onde, duas vezes por semana, há shows com bandas cover dos Fab Four.

2 – Há GRANDES shows de rock no país, todo ano. Claro que os mesmos (quase) sempre passam pelo Brasil. Mas apenas a título de exemplo, Roger Waters, ex-líder do Pink Floyd, em turnê mundial com o espetáculo The Wall, agendou 8 shows em Buenos Aires (contra uma no Rio, duas em SP e um em Porto Alegre). Há uma semana, aconteceu o festival Quilmes Rock ’12, que contou com Foo Fighters, Joan Jett, Band of Horses e Arctic Monkeys (dentre outros, como MGMT e Crosses). Eu, é claro, não fui em nenhum deles. 😦

Ontem eu e Eline fomos até uma avenida que, há anos, é conhecida por suas lojas de livros e discos usados (por falar nisso, ano passado Buenos Aires foi escolhida como a “Capital Mundial do Livro“. Seria possível passar dias nas lojas, conhecendo os acervos, pesquisando bons preços e títulos difíceis de se encontrar. Encontrei antigas edições de revistas de rock espanholas e inglesas (RIP, Kerrang, entre outras), inúmeros livros sobre músicos de rock e bandas, escritos por autores argentinos e, claro, traduções. Por onde quer que andávamos, e a cada loja que entrávamos, a música que nos recebia era o bom e velho rock (passando por Janes Joplin,  The Clash e Arcade Fire).

Só para deixar bem claro, este post não tem por intenção dizer que a Argentina é melhor que o Brasil. São países extremamente diferentes. Achar que, pela proximidade, vir ao país conta como uma ida a um estado brasileiro é um erro BEM bizonho. Primeiro porque se você tenta falar com eles em português você vai levar uma risada na cara (mentira, eles são bem educados). Segundo  porque é só pisar aqui pra ver que tem algo diferente. Mas não é melhor que o Brasil.

Ah, detalhe: aqui também toca Gustavo Lima, Michel Teló e Axé. Para o meu desespero, embora em quantidade infinitamente menor que no Brasil.

Este post foi escrito ao som de uma rádio argentina que tocou: Sisters of Mercy, Kings of Leon, alguns rocks argentinos que não conheço e Queen.

Hasta luego!

Eduardo Mano (sobrenome que não faz sentido nem no Brasil nem na Argentina)

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6 thoughts on “O Rock na Argentina

  1. O Paralamas tem força pela proximidade com o Fito Paez, que é bem bom. E eu tive a mesma sensação, principalmente quanto estava no hotel e via o nível das bandas que tocavam numa espécie de MTV hermana.

    E estive no Cavern Club e no Museu Beatle e surtei com a música ao vivo, a cultura da galera, etc. É um outro ambiente, repleto de galerias de arte, livrarias e tudo mais. Encantador demais.

    E agora, duas histórias engraçadinhas:

    – quando fui a uma loja de couro na Florida, um telão exibia diversos clipes. De repente, começou a tocar ÉoTchan e depois Tchakabum! Mas acho que fizeram isso só por causa da penca de brasileiros que passava pela loja.

    – quando estava vindo embora, no táxi a caminho do aeroporto, o rádio anunciou: “e com vocês, a nova sensação do rock brasileiro…. RESTART!”
    haheuaheuhauehauehuahe

    É isso que exportamos pra eles, além de Xuxa, etc…
    😀

  2. (outra coisa: ao caminhar pela rua, a quantidade de bons guitarristas tentando conquistar um trocado é muito grande. E a galera não apela pro Sweet Child’o Mine, mas manda uns clássicos complexos, com solos de Page e os caramba)

    • Denise, é verdade, é em Abril. Quando vi 3 e 4 (e eisso no dia 5 de março), meio que desesperei e achei que tivesse passado. É em abril! As esperanças se renovam!

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