Esperança Genérica

De repente, esperança se tornou a palavra da moda. E  parece que nós, os crentes,  nos apropriamos dela para tudo. Está em todo lugar: nas camisetas, no facebook, em adesivos, em eventos. Todo lugar.

Só que algo tem me incomodado (e sei que, pela bondade de Deus, tem incomodado também a outras pessoas). Sabe quando o uso excessivo e equivocado de uma palavra a torna meio que sem sentido? Pois é.

Como todos vocês sabem, eu sou batista. Tudo que aprendi a respeito de culto, reverência e (boa parte da minha) teologia foi com os batistas. E os batistas tinham uma antiga campanha de Missões Nacionais (antiga mesmo) cujo tema era “Jesus Cristo é a única esperança”. Creio, podendo estar enganado, que este tema é da época da grande cruzada que Billy Graham fez no Rio de Janeiro e que lotou o estádio do Maracanã.

Deixando a história de lado, parece que ao longo do tempo nós resumimos aquilo que era uma afirmação para algo mais genérico. Primeiro, fomos pouco a pouco tornando o sujeito da oração, Jesus, em um sujeito indeterminado. Depois, passamos do ponto de exclamação ou do ponto final da afirmação de quem é nossa esperança para as reticências. E reticências sempre deixam a frase em aberto, no ar. Creio que precisamos trazer as coisas de volta à terra.

O principal problema desta generalização da esperança é que quando o bicho pega, nós mesmos corremos o sério risco de não a encontrarmos. Corremos o risco de sucumbirmos ao desespero e à falta de perspectiva de que:

a) Deus é Senhor soberano sobre tudo e todos e

b) Ele sempre trabalha para o bem dos que o amam. Mesmo que doa.

Sou forçado, com isso, a mais uma vez citar aqui a letra da música Tapeceiro, do amigo Stênio Marcius:

Tapeceiro, grande artista, vai fazendo o seu trabalho
Incansável, paciente no seu tear
Tapeceiro, não se engana, sabe o fim desde o começo
Trança voltas, mil desvios sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria, tecida em cores alergres e vivas
Que fazem contraste no meio das cores nubladas e tristes
Se você olha do avesso, nem imagina o desfecho
No fim das contas tudo se explica
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo, muda-se logo a expressão do rosto
Obra de arte pra honra e glória do Tapeceiro
Quando se vê pelo lado certo, Todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro.

Crer, ou pregar, corretamente a esperança é garantir que ela vem de Deus e está em Jesus, e somente Nele. Pois meus caros, do jeito que as coisas andam neste mundo, temos poucos caminhos a seguir, dentre eles, estes: uma vida moralmente perdida e corrompida (“Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”) ou uma vida ansiosa por aquilo que Deus há de fazer conosco: “E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” 1 Coríntios 15:54.

Eu recomendo a leitura de todo o capítulo 15 da primeira epístola de Paulo aos Coríntios. E para tornar as coisas ainda mais fáceis, basta clicar aqui.

Como disse anteriormente, o uso excessivo e equivocado de uma palavra a destitui de sentido. Pois bem. Aconteceu isso com a palavra Fé (pois hoje, “qualquer caminho leva a Deus”). Aconteceu isso com a palavra Amor (pois hoje, “toda forma de amor é permitida”). E nós, os que conhecemos a verdadeira Esperança, estamos tirando dela seu principal significado.

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” 1 Coríntios 15:19.

Eduardo Mano

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