Mumford & Sons e a arte de adorar sem "adorar"

Os ortodoxos ficarão de cabelos em pé. Mas vamos lá.

Mumford & Sons se tornou minha banda favorita, junto ao Fleet Foxes, há uns dois anos atrás, com o lançamento do disco Sigh no More. Foi amor à primeira vista. Após dois anos (e mais de um ano de produção), eles lançarão, no dia 24 de setembro, seu mais novo disco, Babel. E aqui eu vou dizer algo que vai deixar alguns amigos meio #chateados comigo.

Este é um dos melhores discos do ano, e um dos melhores discos cristãos do ano.

Marcus Mumford, para quem não sabe, é filho dos líderes nacionais para o Reino Unido e Irlanda da igreja Vineyard. Cresceu, portanto, em um lar cristão. Isto fica óbvio em suas letras, que em alguns casos, não deixam dúvidas se estão sendo cantadas para Deus ou para a namorada (ao contrário de alguns cânticos made in Brasil). Alguns exemplos de letras que deixam isto claro estão nas músicas “Awake my Soul”, do primeiro disco, Sigh no More (onde lemos “awake my soul, for you were made to meet your Maker” / “desperta, ó minh’alma, pois você foi feita para encontrar teu Criador”) e Whispers in the dark (onde ele canta, “sou um canalha, mas não sou perfeito / propus-me a servir ao Senhor), Below my Feet (“eu estava parado, estava sob seu feitiço quando Jesus me disse que tudo estava bem, então tudo deve estar bem) e outras… há muitas referências, tanto diretas quanto indiretas.

Mas há uma música que me chamou a atenção. “I Will Wait”, Eu Esperarei, em português.

A letra em inglês você encontra neste link, e abaixo vou colocar a minha tradução interpretada da mesma. Não creio que esteja errada.

Eu Esperarei

E eu cheguei ao Lar, e pesado como uma pedra, cai em Teus braços. Estes dias de deserto pelos quais passamos serão levados por este novo sol.

Eu me ajoelharei, esperando este momento. Eu me ajoelharei, e saberei onde estou firmado.

E eu esperarei, eu esperarei por Ti. E eu esperarei, eu esperarei por Ti.

Então mude meus passos e tenha compaixão de mim; Você me perdoou, e eu não esquecerei disto. Sabes o que vimos,
e com muito menos, de alguma forma, tiras todo o excesso.

E eu esperarei, eu esperarei por Ti. E eu esperarei, eu esperarei por Ti.

Então eu serei firme, e também forte, E usarei minha cabeça junto ao meu coração. Então toma a minha carne, e dá-me novos olhos, mantenha minha mente cativa e livre de mentiras.

Eu me ajoelharei, esperando este momento. Eu me ajoelharei, e saberei onde estou firmado.

Ergo minhas mãos, pinte meu espírito de ouro. Eu curvo minha cabeça, mantenha meu coração desacelerado.

Pois eu esperarei, eu esperarei por Ti. E eu esperarei, eu esperarei por Ti.

 

Traduzir uma canção é algo ingrato. Mas às vezes somos impactados por um senso de grandeza e profundidade que excede aquilo que consideramos comum e ordinário, e o próprio Deus vem e fala conosco. Muitas vezes ele fala na brisa suave da tarde, mas às vezes, sim, ele usa Tempestades. Esta música soou como uma tempestade para mim.

Quem me conhece sabe que não sou destes que procura espiritualidade em tudo, desde filmes a músicas do U2 e Coldplay, mas às vezes, o Espírito nos testifica que há algo para além de nossos olhos em algumas coisas, e isto é para a glorificação de Cristo, e não para a vaidade humana. E isto é adoração. Mas no caso do Mumford & Sons, é adoração sem ser adoração, ou o que a mídia fez dela.

“Tu me perdoaste, e eu não esquecerei.” De fato Cristo, não esquecerei e nem desdenharei do que fizeste por mim.

SDG.

Eduardo

 

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13 thoughts on “Mumford & Sons e a arte de adorar sem "adorar"

  1. Eu fico muito feliz por ler um artigo como este. Mumford and Sons é atualmente minha banda preferida, e também sempre interpretei as letras de uma forma mais “espiritualizada”.

    O engraçado, é que acidentalmente conheci seu trabalho através deles, porque não conseguia encontrar bandas folks cristãs (brasileiras, sobretudo), e certa vez ao abrir sem querer um artigo na gospelmais, se não me engano, (cliquei só porque estava com a tag “mumford and sons”) acabei conhecendo suas músicas! hahahah
    que Deus continue abençoando seu ministério! 🙂

  2. Pingback: Mumford & Sons e a arte de adorar sem “adorar” | Underdot

    • E aí Guilherme, beleza? Então cara… eu não quero ser mais polêmico do que já fui há tempos atrás, mas eu não vejo problema algum nisso, desde que ela não tome o lugar que é de Deus. Na verdade, se não tomarmos cuidado, até a música cristã pode se tornar um ídolo. The Boxer é uma música de Paul Simon e Art Garfunkel, e acho ela linda demais. De fato, o Mumford não é uma banda declaradamente cristã, esse entendimento a gente tira ao ouvir as músicas… mas enfim, caso queira escrever, fica à vontade, amigo!

  3. Fala Mano, beleza? Cara fiquei bastante curioso, porque o som dos caras é muito bom, mas ao mesmo tempo me levou a pensar sobre essa questão de adoração, música e etc… Você já deve se deparar com questões como essa que o Guilherme fez acima… Você indica alguma literatura saudável e bíblica sobre o assunto? 

  4. Poxa,gosto muito de Mumford, uma das minhas preferidas é “After the Storm” do Sigh no more. Bacana ver gente que enxerga essas coisas 🙂

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