André Matos

Faleceu ontem, 8 de junho, aos 47 anos, André Matos, músico brasileiro e ex-membro de grandes bandas de Heavy Metal brasileiras e mundiais, como Viper, Angra e Shaman, bem como de inúmeros projetos. Especula-se que sua morte tenha sido decorrente de um ataque cardíaco – e sinceramente espero que o laudo se confirme.

Desconheço escândalos que tenham envolvido o músico. Talvez sua saída do Angra, mas fora isso, nada. É verdade que desde Fireworks, seu último disco com a banda que o colocou definitivamente no mapa dos grandes cantores de Heavy Metal, parei de acompanhar a sua carreira. Isso não me impediu de saber de seus projetos paralelos e de tudo o que concretizou com seu talento e obstinada perseguição pela qualidade no que fazia.

Eu tomei conhecimento do André através de sua primeira banda, Viper, no disco Soldiers of Sunrise, de 1987. André tinha 16 anos quando gravou o disco. Gravou ainda Theater of Fate com a banda, e depois formou o Angra, banda que alcançou reconhecimento e sucesso internacional antes apenas conhecido pelo Sepultura.

Com Angra, seu primeiro disco foi o Angel’s Cry, um grande clássico. Nesta nova banda ele pode utilizar seus talentos como músico (era excelente pianista e arranjador, além de letrista). Eu não tenho como expressar o quanto este disco foi importante na minha adolescência. Na verdade, não saberia nem o motivo. Talvez por perceber como o Heavy Metal poderia ser “musical”, ou por ter sido na época em que comecei a compor minhas primeiras músicas. Mas lembro como se fosse hoje de quando comprei o disco. Lembro da loja, do endereço. Lembro do que eu fiz depois de comprar, e onde eu o ouvi pela primeira vez. Só há um outro disco que me traga tantas lembranças assim, e é o Metropolis II – Scenes from a Memory do Dream Theater.

É claro que meus caminhos de fé e de música foram bem distintos aos de André, mas isso não me impede de reconhecer como ele teve uma importância tão grande na minha vida com sua voz e suas composições. Saber de sua morte deixou-me muito triste.

Posso aplicar em minha vida e ministério alguns dos princípios que nortearam a vida deste músico, que embora não tenha servido a Deus em sua vida, buscou qualidade e excelência no que fez. André estudou música “como se não houvesse amanhã”. Era compositor, pianista, arranjador e maestro formado em Universidade. Ele era criterioso com a produção e arranjos de suas músicas (em vídeo publicado hoje em seu canal no YouTube, Kiko Loureiro, parceiro de André por 9 anos no Angra, contou alguns casos a respeito disso). A busca por excelência e qualidade deveria ser alvo de qualquer cristão que entende que com o labor de suas mãos, honra o Criador. Além disso, a qualidade artística do que produzia não deixa dúvidas de que Deus é gracioso em derramar talentos entre os homens, e como o André laborou seu talento de forma a criar arte belíssima.

Sou grato a Deus pela vida do André Matos, e certamente me atualizarei quanto ao escopo de sua obra que eu deixei de acompanhar. Engraçado que há alguns meses tenho voltado a ouvir o Angel’s Cry, um disco que mesmo depois de quase 30 anos, ainda soa como novo para mim.

Que Deus traga conforto à sua família, e que eles venham a conhecer Aquele que é dono de toda arte.

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