Ser Cristão

Faz empo que não posto algo mais devocional aqui. Mais tempo do que deveria, talvez.

Não devocional para você, mas para mim. Algo que me faça lembrar pelo quê vivo. Escrevendo aqui, fica mais fácil ser cobrado daquilo que falo, pois o risco de cair em contradição é grande, não é mesmo? Afinal, pequenas contradições somos todos nós… mas há um momento em que precisamos nos posicionar quanto a algumas coisas. E aqui me posiciono.

Este não é um Credo. É apenas um lembrete.

Eu tenho um problema com o termo “crente”, e ainda com o termo “evangélico”. Embora eles sirvam (e servem) para categorizar parte daquilo que sou e creio, ainda é incompleto. Há um tempo que eu prefiro o termo cristão. O problema é que um monte dos “anarquistas de igrejas” ou dos “revolucionários” também utiliza o termo. Só que tanto neles quanto em mim, vejo ações e palavras que são diametralmente opostas àquelas propostas por Cristo. Por isso, vamos a um pequeno e rápido estudo do termo Cristão.

O termo Cristão aparece 3 vezes no Novo Testamento, em Atos 11.26; 26.28 e em I Pedro 4:16. Ele siginifca, essêncialmente, “pequeno Cristo”, tamanha era a identificação dos primeiros discípulos com o Mestre. Esse termo foi usado como um apelido, do povo, aos grupos que se reuniam nas casas. A partir de então, todo seguidor de Cristo passou a ser chamado de Cristão.

Mas veja que coisa: o apelido vem por associação. Chama-se de cristão aquele que imita a Jesus, que anda como Jesus, que faz as coisas como Jesus faria (dadas as devidas circunstâncias, claro). Após 2000 e poucos anos, em especial no interior do Brasil, um outro termo era utilizado para definir aqueles que serviam a Jesus: os bíblias. Os bíblias era conhecidos das cidades pequenas. Conhecidos por serem pais rigorosos com seus filhos, que cuidavam de sua educação. Conhecidos por serem fiéis às suas esposas. Conhecidos – vejam só – por serem bons pagadores de dívidas, e por terem crédito em qualquer loja das cidades.

Hoje eu olho para mim, e olho para a verborragia de muitos twiteiros de igreja, e vejo que de Cristão de verdade, temos é nada. Somos violentos, e não pacíficos. Somos infiéis e egoístas, e não fiéis e altruistas. Somos egocêntricos e damos pouca atenção à necessidade do próximo. É dito que o “amor é um movimento”, mas muitas vezes esse movimento é realizado debaixo de lençóis, em camas que pertencem a outros, ou que não deveriam pertencer a ninguém no momento. “Cristãos” hedonistas que fazem tudo pelo prazer, seja ele qual for, memos o prazer em Deus. “Cristãos” niilistas, desejando aniquilar a ordem e instaurar o caos, como se quisessem construir uma nova história abrindo mão de toda a história.

Passamos boa parte da semana nos preocupando apenas com nossos interesses, e quando buscamos a Deus é para pedir a Ele que conceda ainda mais interesses, conceda desejos que nem perguntamos a Ele se deveriam estar em nossos corações. Na tentativa de tirá-Lo da “caixa”(como se pudéssemos condicionar o infinito a uma), transformamos o Santo dos santos em um amuleto, e passamos a criticar aqueles que fazem a mesma coisa apenas de forma mais discarada.

Passamos a enfatizar dois dos maravilhosos atributos de Deus, Sua Graça e Seu amor, desconsiderando todos os outros, como se pudéssemos partimentalizar o indivisível. Rimos quando pentecostais clássicos dizem que “Deus é amor mas é justiça”, e nos esquecemos que é bem por aí mesmo, e mais: Ele é todo amor, todo Graça, todo misericórdia, todo justiça, todo ira. Como disse Jó à sua esposa em Jó 2.10, “receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal?”. Durmamos com um barulho destes.

Mas tudo na vida é uma questão de posicionamento. Eu, pensando no (pouco) que conheço a respeito de Deus e naquilo (tanto) que Ele tem feito por mim, vejo que eu preciso abrir mão de atitudes em minha vida. Preciso viver uma vida que honre e dignifique a Deus, daquele de quem não somos dignos de amarrar as sandálias. Viver um pouco do que diz aquela velha canção, “a começar em mim, quebra corações”.

Não sei onde isso vai dar, mas Deus, que não dá ponto sem nó, sabe.

A Ele, e somente a Ele, toda honra e glória.

Eduardo Mano

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One thought on “Ser Cristão

  1. Texto precioso e tristemente real. E podemos acrescentar ainda que o termo evangélico tornou-se um rótulo de produtos direcionados a essa classe específica. Parece que tudo é legitimado por Deus quando o termo evangélico vem a frente…prém sabemos que não é nem um pouco assim. Que o Deus de justiça tenha misericórdia de nós.

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