Lançamento – GUARDA O TEU CORAÇÃO

Senhores, chegou o momento.

Peço que leiam estas poucas linhas antes de correr pro abraço, ok?

O material está no Noisetrade. Isto significa que está tudo em inglês. Caso você não seja familiar com a língua, quando você vir o widget (este negócio aí ao lado direito), tudo o que você precisa fazer é colocar seu email e QUALQUER NÚMERO no zipcode, e dar next até terminar. Eles enviam um código para o seu email, você clica no link, eles te levam para o local do download e aí, pronto.

Você não precisa dar dinheiro em troca do download. Também não precisa postar nada no Facebook ou Twitter. Se quiser doar e postar, óbvio, agradecemos. 🙂

Caso você queira adquirir a cópia física do CD, já temos a pré-venda. O envio do CD é a partir do dia 5 de setembro (ou seja, em duas semanas). O CD vai custar R$ 15,00 (mais o frete, calculado automaticamente na hora do check out na loja) e vem com as fixas do EP Esperança (E Se e Outono) como bônus, além de encarte e “surpresa”. Para adquirir o CD, vá até nossa loja (pagamento através do paypal e depósito bancário).

Esperamos que Deus abençoe a vocês com este trabalho. De verdade. Não deixem de dizer o que acharam dele no Facebook, Twitter ou por aqui mesmo.

Divirtam-se:

Licença Creative Commons
O trabalho Guarda o Teu Coração de Eduardo Mano foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em www.eduardomano.net.

abraço,

Eduardo Mano

Guarda o Teu Coração – Novo CD em Breve

Então amigos, em alguns dias eu lançarei meu novo disco. O nome do dito é Guarda o Teu Coração, e eu gostaria de falar um pouco sobre ele, até para que vocês saibam o que podem (e o que não podem) esperar deste disco.

Como eu já havia dito, Guarda o Teu Coração foi gravado em minha casa, e sem a banda. As música refletem um momento particular meu e por isso entendi que seria hora de voltar ao voz e violão, pelo menos para este trabalho. Como foi gravado em minha casa, não há como esperar a mesma qualidade de um CD gravado em estúdio. Além disso, eu optei por fazer um som mais cru, lo-fi. Há muitas experimentações ao longo do disco e ele não está “limpinho”, ao contrário, por exemplo, do Velhas Verdades.

Decidi não afinar meus vocais. O que você vai ouvir é o que ouviria indo me ver tocar em alguma igreja. Não me arrependi disto.

Também arrisquei e fiz a mixagem do trabalho. Anos e anos ouvindo música deveriam ter me ensinado algo a respeito daquilo que agrada meus ouvidos, e acho que não fiz um mal trabalho. Amigos que já ouviram o trabalho gostaram, e pela qualidade dos amigos, confio no que disseram.

Este é um disco que diz muito a respeito de como eu creio em Deus, e da forma como deposito minha esperança Nele. Espero que, de alguma forma, isso possa servir de encorajamento e benção para aqueles que ouvirem o trabalho. Não espero agradar a todos, como nunca esperei, mas ao mesmo tempo, espero que vocês gostem. Contraditório, eu sei.

A única coisa que de fato oro para que aconteça é que Cristo seja honrado e dignificado com este trabalho, e que o nome Dele seja proclamado através de cada canção. Se isso acontecer, fico feliz, de verdade.

Portanto, dia 21, aqui neste endereço, Guarda o Teu Coração será lançado. Oremos.

Um forte abraço,

Eduardo

Gilmore Lucassen

Faz tempo que não indico novos músicos por aqui. Não faço isso pois, dos que tenho gostado, alguns já foram infectatos pelo maldito vírus do estrelato. Uma pena.

Mas o Gilmore, em minha humilde opinião, é diferente. Membro da Capital Augusta e um dos líderes de louvor da igreja, ele seguiu suas influências e partiu para um trabalho autoral na linha folk, fazendo música para os de coração partido, os sós e aqueles com sentimentos. E ele é bom no que faz.

Saca só o vídeo abaixo:

E também este (uma das minhas músicas favoritas dele):

O Gilmore é um amigo querido, a quem tenho prazer em indicar. Mas não para aí. Só indicar vídeos do YouTube é para os fracos, então clique aqui para baixar o EP de estréia dele, Northwest Hill. E clique aqui para baixar a canção que o Gilmore lançou em parceria com o Phillip Nutt. Ambos os downloads são gratuitos (mas você pode, claro, contribuir com alguns trocados).

É isso. Feliz download a todos.

Abraço,

Eduardo

 

Eu canto Keith Green

Keith Green está longe de ser uma unanimidade, creio, no cristianismo. Sua música e postura foram radicais e incomodaram muita gente. Na verdade, ainda incomodam. Queria aqui pensar em alguns aspectos de sua vida, ministério e música que são tão controversos hoje quanto foram no final da década de 70, durante seu curto (mas expressivo e importante) ministério.

Vida

Keith Green não era um cristão típico, daqueles que nós conhecemos. Sua criação e conversão se deram de forma pouco ortodoxa, e contribuíram de forma decisiva com a maneira pela qual ele e sua esposa viviam. Tendo se convertido em meio ao grande avivamento entre os jovens ocorrido na década de 70 nos Estados Unidos, conhecido como Movimento de Jesus. Neste tempo, Green era um músico que se empenhava em tocar na noite, em bares locais. Foi nesta época em que conheceu sua esposa, Melody, uma jovem hippie, como a maioria dos que ouviam sua música.

Após um namoro de aproximadamente um ano, Keith e Melody se casaram. Ambos estiveram envolvidos nos primeiros momentos da igreja Vineyard, antes mesmo dela ser estabelecida em definitivo com a liderança de John Wimber, igreja que também o ordenou ao ministério pastoral. Com isso, Keith começou a acrescentar ao seu repertório canções que falavam explicitamente de Jesus,  da realidade do inferno e da salvação que Cristo nos dá através de seu sangue. Esta atitude afastou grande parte de seu público nos bares onde tocava, ao mesmo tempo em que trouxe muitos jovens ao arrependimento e a largar os vícios.

Keith e Melody Green sempre mantiveram as portas de sua casa abertas a qualquer um que precisasse de um lugar para ficar. Diariamente, em sua sala de estar, jovens recém libertos das drogas, viajantes e sem-teto se juntavam para ouvir a ministração da Palavra de Deus, pequenos estudos e devocionais que Keith preparava. O grupo cresceu tanto que os Green adquiriram outras casas perto de onde moravam para acomodar a todos, e após alguns anos, compraram uma propriedade no Texas onde construíram dormitórios, uma sede, escritórios, e fundaram o “Last Days Ministries”. Todos se mudaram para lá e viveram juntos, em comunidade.

Keith e Melody escolheram acolher os rejeitados, pois conheciam suas lutas e dores. Muitos jovens passaram por tratamento para abandonar as drogas. Muitas mães solteiras encontraram ajuda e um teto para criar seus filhos com segurança. Muitos jovens perdidos e sem esperança encontraram um emprego, uma razão de vida, e a paz que Cristo garante aos seus.

Ministério

O ministério principal de Keith Green era a música, e secundariamente, o púlpito. Como a maioria dos ministros de música, Keith não raramente pregava durante suas apresentações. Ele tinha algum conhecimento teológico, formado pela mentoria do avivalista Leonard Ravenhill, e pela leitura de diversos autores, entre eles Charles Finney. Falaremos mais disso em seguida.

Durante seus poucos anos de ministério, Keith gravou 5 discos, sendo 3 de músicas cristãs voltadas ao evangelismo e exortação da igreja, um disco de “melhores” e um último, de adoração – um dos primeiros discos de adoração (nos moldes que conhecemos hoje em dia) gravados no mercado americano. Seus dois primeiros discos foram lançados pela Sparrow Records. O terceiro foi lançado de forma independente, e aqui é necessário dizer algumas palavras.

“So you wanna go back to Egypt” foi lançado por uma gravadora própria, chamada “Pretty Good Records”. Green pediu desligamento de sua gravadora, pois entendia que a música cristã não poderia ser vendida, mas sim dada de graça (ou adquirida pelo valor que o ouvinte pudesse pagar). A gravadora o liberou de forma amigável, entendendo que Keith deveria prosseguir com sua ideia. Esta forma de pensar acompanhou Keith pelo resto de seu ministério, até o final de sua vida. Não apenas isso, como ele não tocava em eventos pagos, apenas shows gratuitos. Ninguém deveria pagar para ouvir o Evangelho.

Traduzo a seguir um trecho de texto extraído de um folheto lançado em 1979, à época do disco “So you wanna go back to Egypt?”:

“Keith Green acabou de lançar um novo álbum, e ele não estará disponível em nenhuma livraria ou através de nenhum meio comercial. A gravadora Pretty Good Records recebeu o direito exclusivo de Keith para distribuir o álbum para qualquer um pela quantia que este puder pagar em troca.

A razão principal para não cobrarmos um valor fixo pelo álbum é simples: nós queremos que todos, não importa o quanto tenham (mesmo que não tenham nada), ouçam o ministério da nova vida em Jesus que flui deste álbum poderosamente ungido.

No Ministério Last Days, nós sempre nos importamos com os pobres. Até hoje, nós já mandamos mais de um milhão de artigos, milhares de fitas cassete, e a cada seis semanas nós enviamos uma revista, para quase 100.000 pessoas em todo o mundo, e nós nunca cobramos nada a nenhuma delas. Nós cremos que se o Senhor dá algo a você de graça, então você deve partilhar disto de graça (Mateus 10.8). O novo disco é nosso maior empreendimento até hoje, e nós não queremos que ninguém fique de fora!

Nós realmente gostaríamos de dividir este ministério musical com você, então se você quer uma cópia do novo disco de Keith, utiliza o cupom em anexo, e nos envie aquilo que você puder, da forma que Deus lhe dirigir.

Nós sabemos que há muita confiança envolvida nesta ação. Alguns nos avisaram que alguns utilizariam esta oportunidade para ‘ganhar um disco de graça’. Mas esperamos que você entenda que estamos fazendo isso não para que as pessoas consigam uma ‘pechincha’, mas porque é difícil para algumas pessoas conciliar o pagamento de 8 dólares por um disco cristão, quando eles nem mesmo podem comprar sapatos para seus filhos.”

Esta é uma atitude que causa calafrios nos executivos de gravadoras ainda hoje, e um caminho que poucos artistas querem trilhar… mas à luz da Palavra, não consigo ver outra alternativa. Tratarei disto em outro texto, em outro momento.

Música e Teologia

A música de Keith Green é seu maior legado. Mesmo no Brasil, há anos temos duas versões para “Oh Lord, You’re Beautiful” (Senhor, Formoso És, cantada por Marcos Góes e PG). Seus dois primeiros discos foram carregados de uma mensagem muito forte de juízo e exortação, mensagens proféticas (no sentido bíblico da palavra) para a igreja daquela época e, muito certamente, de hoje. Em seu terceiro disco, vemos como a Graça tomou um papel importante em sua vida, balanceando isso com a Justiça de Deus.

Keith escrevia sobre a urgência de ter sua vida resgatada e limpa por Cristo. Ele escrevia sobre a realidade do inferno e do diabo (de fato, três de suas músicas são escritas tendo o diabo como protagonista, todas excelentes – “Lies”, “No one believes in me anymore” e “Dear John Letter”), sobre a inconsistência na vida de muitos cristãos (“You love the world and you’re avoiding me”, uma das letras mais sinceras sobre o descaso que temos com as coisas de Deus que já ouvi), sobre a falta de ação da igreja em alcançar os perdidos (“Asleep in the light”, que me emociona cada vez que a ouço) e ainda diversos outros temas relacionados à Igreja, vida cristã, missões, ministério… cristianismo em geral.

Musicalmente, não há dúvidas que Keith Green era um gênio. Sua habilidade ao piano e seu registro vocal fizeram dele um artista conhecido e respeitado por toda a América do Norte e em todo o mundo, mesmo após a sua morte. Uma comparação poderia ser feita entre seu estilo e o do canto Elton John. Green cantava com entusiasmo e interpretava suas músicas de forma contagiante. A única explicação plausível para o fato de ele nunca ter encontrado sucesso no meio secular é a vontade de Deus e o ministério que Ele havia separado para Green e sua esposa.

Suas letras eram um reflexo de sua forma de pensar 8 ou 80, e também da teologia que lia. Um homem que teve grande influência em sua vida foi Leonard Ravenhill, e seu livro “Por que tarda o pleno avivamento”. Essa vivência que ambos tiveram influenciou bastante a mensagem de exortação de Green. Outro homem importante na vida de Green foi Loren Cunningham, fundador da YWAM (JOCUM), missão que Green abraçou e apoiou financeiramente. Missões também teve uma grande parte na teologia de Keith Green, e uma de suas músicas mais conhecidas, “Jesus Commands us to go” (lançada em um álbum póstumo) mostra como ele pensava missões (a letra diz, em português: “Jesus diz para irmos, deveria ser uma exceção se nós ficarmos”) Além dele, os livros de Charles Finney também tiveram grande influência.

Charles Finney foi um avivalista do século 19, com pensamentos e teologia muito peculiares (caso tenha interesse, aqui está um artigo onde boa parte de sua teologia é explicada). Para o nosso caso, o que podemos perceber de sua influência em Keith Green, foi a sistematização do avivamento (seguir passos específicos para chegar a um avivamento ou mover de Deus), como Finney fazia. Isso foi prejudicial (e vemos como fez mal a ele ao ler a biografia “No Compromise”, escrita por sua esposa) pois, muitas vezes, gerava nele uma expectativa por alcançar um objetivo, meramente por ter seguido os “passos” corretamente. Mas percebemos que, ao final de sua vida, as influências de Cunningham e Ravenhill foram ainda maiores (em especial por serem exemplos e mentores vivos, que o visitavam e oravam por sua vida).

Conclusão

Para mim, Keith Green foi um grande homem de Deus. Sua vida ainda me influencia (e, certamente, a de milhares de cristãos ao redor do mundo). Eu não tenho a menos dúvida de como Deus usou sua vida e ministério para fortalecer a vida de muitos cristãos em sua época, e para resgatar a vida de outras tantas pessoas. Seu amor pelo Senhor constrangeu e contagiou inúmeras pessoas, e suas músicas ainda falam. De fato, Leonard Ravenhill, ao falar no velório de Keith Green, disse que “ele, mesmo morto, ainda fala”.

Aquilo que está disponível de Keith Green para nós, se torna a forma de o conhecermos. Há vídeos, livros e músicas. Tive a oportunidade de ver o documentário sobre sua vida (disponível aqui em inglês), ler os livros “No Compromise” e “Se você ama o Senhor” e ouvir seus discos, e posso testemunhar do quanto Deus falou e fala através deste material. Excessos e erros, todos cometemos. A diferença é o quão prontos estamos a mudar nosso caminho.

Este texto está longe de fazer justiça à memória de nosso irmão Keith Green, mas espero trazer um pouco de informação àqueles que pouco sabem a respeito dele. Que Deus nos abençoe e nos leve a viver uma vida comprometida unicamente com a causa do Reino, e com Cristo.

Eduardo Mano

Bruce Springsteen no SXSW 2012

Ontem à noite eu investi 52 minutos para assistir ao discurso que o Bruce “The Boss” Springsteen deu no SXSW deste ano.

Para quem não sabe, o SXSW (ou South by Southwest) é um dos maiores (ou o maior?) eventos de música do mundo, e lá, durante alguns dias, acontece um festival que abrange não apenas a música, mas também cinema e web. Existe há 25 anos e a cada edição, o “monstro” apenas cresce.

De volta ao assunto, em uma das manhãs do evento, o The Boss (como é carinhosamente chamado, por ser um dos artistas que mais trabalham no show business) fez um discurso que emocionou não apenas aos sortudos da platéia, quanto também a mim. Ele partiu de sua própria história para mostrar a todos como a música é relevante, e como todos os estilos de música são importantes. Isto, claro, é o meu resumo de 5 palavras.

Desde 2010 o SXSW está nos meus planos, como alguém que ama a música e como banda. Quero participar do evento um dia (tocando seria ainda melhor) para aprender e vivenciar momentos como este, a palestra do Springsteen.

Se você tem uma banda, ou ainda, se você ama a música, invista também 52 minutos do seu dia e assista à palestra (que está em inglês, sem legendas) aqui neste link (infelizmente não tem como postar aqui no blog). O legal é que o site foi além e, num mesmo post, além de soltar a palestra, ainda colocou alguns vídeos, todos eles citados por Bruce em seu discurso. É um material riquíssimo, aproveite sem moderações. 🙂

Apenas um aviso: A palestra contem alguns palavrões (os quais, claro, não endosso). Se você se escandaliza com facilidade, fica o aviso. Mas tente passar por isso, pois a palestra, de fato, não tem preço.

Segue aqui algumas das dicas que ele deu e que achei interessantes:

“Não se leve muito a sério, e ao mesmo tempo, leve a si mesmo tão a sério quanto a própria morte. Não se preocupe, e fique muito preocupado. tenha uma confiança rígida, e ao mesmo tempo, tenha dúvidas. Isso manterá você desperto e alerta. Acredite que você é o cara mais sinistro da vizinhança. E ao mesmo tempo, você é péssimo. Ter dois pensamentos contrastantes a respeito de si mesmo, se não levar você à loucura, vai te levar a algum lugar bom” (isso, claro, aplicado à carreira musical).

Um abraço!

Eduardo Mano

Mercado da Música. E eu com isso?

No último texto eu falei que “As bandas cristãs teriam muito a aprender com as novas tendências, se não estivessem tão preocupadas em soar como uma cópia do United, ou se cada banda que se forma nas igrejas já não tivesse o intuito (como se esta fosse a única forma de “acontecer”) de assinar um contrato com alguma gravadora.” Eu já vi e ainda vejo esta história se repetir quase todos os dias. E por isso, gostaria de falar a respeito de sucesso.

Quando os Vencedores por Cristo foram criados pelo missionário Jaime Kemp em 1968 a idéia era trabalhar missões com grupos de jovens que viajariam pelo Brasil levando música e palavra. Foram inúmeras equipes missionárias, e vez por outra uma das equipes trabalhava na gravação de um disco. Só que o foco do trabalho não era a gravação, mas sim as viagens missionárias, e aqui faço um adendo.

Viagem missionária, para quem nunca participou de uma, significa abrir mão de conforto. Esqueça quartos de hotel com ar-condicionado, frigobar e serviço de quarto. Na melhor das hipóteses, você vai dormir no alojamento de algum retiro ou na casa de algum irmão, mas pode ser que passe a noite num colchonete, numa rede ou no chão da igreja. Muito diferente das exigências que as bandas fazem hoje em dia ao receber o convite de alguma igreja distante, onde hotel passa a ser uma obrigação. Mas voltando ao assunto.

A maldição da mídia gospel e dos luxos vividos pelos artistas transformou aquilo que era para ser missão e serviço em regalias, proveito, benefícios e mamata. Sim, mamata. Afinal, não é mamata viajar de graça pelo país, recebendo por um final de semana aquilo que muitos pais de família brasileiros demoram 3 ou mais meses para conseguir, e ainda por cima com tudo pago? Meus caros, onde chegamos?

Para muitos jovens e adolescentes, mais importante que fazer música que agrade a Deus e sirva de conforto, exortação e ensino ao Seu povo, já no primeiro ensaio da banda são definidos quando o CD será gravado, quais serão as exigências para irem a algum lugar e por aí vai. os fins passaram a justificar os meios: faço música para ter uma vida de rockstar.

Já chegamos a um ponto onde há calotes de promotores de eventos e de bandas. Promotores inescrupulosos que deslocam uma banda para algum lugar e no final das contas não honram com seus compromissos nem com o público nem com a banda. Mas também há falta de escrúpulos nas bandas que desmarcam evento já agendados em favor de outro, na mesma data, que vai “pagar mais”, ou dar mais visibilidade. Não basta termos beirado o absurdo, mas ultrapassamos a linha que o define e fincamos a bandeira do mercado por lá, bem distante do que, creio, é a vontade de Deus para aqueles que se iniciaram neste caminho.

A verdade é a seguinte: nem todos serão o Oficina G3, o Diante do Trono, o Quinlan ou qualquer outro dos que vive exclusivamente do mercado. Há grandes chances, na verdade, de que você sua banda nunca passem dos limites da sua cidade, e que precisem ter empregos que banquem a música. Digo isto por experiência.

Quando gravei o Canções para Grupos Pequenos eu não imaginava que ele teria mais de 1000 downloads. Por mais que este número seja pouco, para mim foi muita coisa. Só que isso não abriu mais possibilidades de agendas. De fato, as igrejas onde tocamos no início eram igrejas de amigos – da mesma forma que funcionamos hoje. Para gravar o Esperança, troquei meus serviços de designer pelas horas de gravação em estúdio. Foram mais de 2000 downloads deste disco, e novamente, nossa agenda ainda não ficou lotada. Para o Velhas Verdades, a opção de gravarmos em casa não foi apenas para provar que era possível, mas também por não termos dinheiro para gravar o disco. Foram, até agora, mais de 1500 downloads do disco, e nossa agenda não lotou com isso.

Se penso em sucesso e vejo que nossa agenda está vazia, a lógica mundana diz que não o temos. Só que com Deus a parada é diferente, e quando vejo as mensagens e emails que recebemos de gente que foi tocada pela música, ou que ouviu Deus falar com elas através de uma letra… eu não posso deixar de ficar feliz com isso! Quando lembro de todos os amigos que fiz por causa da música nestes últimos 3 anos, não tenho como não me sentir alguém de sucesso! Eu trabalho de segunda a sexta de 9 da manhã ãs 18 da noite, e muitas madrugadas eu estou no computador, trabalhando, para sustentar minha casa. Não é incomum termos que colocar dinheiro na banda, pagando ensaios e duplicação de CDs, e não sei se algum dia isso se tornará autosustentável, mas como eu tenho prazer em sentir Deus confirmando em meu coração que é para continuar.

Eu queria que outras bandas tivessem esta mesma alegria.

Passei boa parte dos últimos meses crendo que o que fazíamos é arte, e que por isso, seríamos artistas. Tolice minha. Se é ou não arte, isso deveria importar menos do que o fato de ser instrumento de Deus para tocar vidas., e que neste sentido, sim, a banda passa a ser um ministério, e os membros dela ministros, mas com a humildade que o nome dá: ministro é servo, e o serviço é a Deus e à Igreja. Até o “ser ministro” pode encher as pessoas de orgulho.

Eu sinceramente gostaria que não houvesse tanto dinheiro envolvido no mercado gospel. Gostaria que mais e mais bandas redefinissem suas visões acerca do que estão fazendo. Gostaria de poder mudar a mentalidade de muitas igrejas e fazer com que elas investissem mais em missões ou em seus membros do que nas bandas convidadas do congresso jovem, mas não posso. Veremos no que isso vai dar um dia.

Quanto às bandas, no próximo texto falaremos um pouco sobre como tentar equilibrar o chamado, mantendo-o o mais puro possível com uma visão sadia de mercado, e nas formas que a banda pode pensar para fazer sua divulgação de forma criativa e honesta.

Até a próxima,

Eduardo Mano

Coletânea MPB Santo

É com muita alegria que divulgo aqui a coletânea do blog MPBSanto do amigo (e também designer) Cleber Gossi.

A idéia do CD partiu dele, ao contactar diversos músicos brasileiros independentes (que tocam ritmos que vão da MPB, passando pela música regional e chegam no rock) que ousassem ceder músicas suas para o projeto. Dentre a galera que ousou, estão Alforria, Sacrifício Vivo, Elly Aguiar, Diego Venâncio, Tiago Vianna, Fabinho Silva e o mestre (mesmo!) Carlinhos Veiga, de quem você muito provavelmente já ouviu falar.

Além, é claro, da gente.

Clique na imagem abaixo para irao link do download:

Eis aí o release do lançamento:

Release
É com imensa alegria que o blog MPB Santo lança seu primeiro CD virtual, gratuito para download.
Este projeto tem como objetivo promover o blog MPB Santo que, por sua vez, tem como objetivo ser um canal de divulgação da boa música cristã brasileira.
O CD MPB Santo – Volume 1 foi concebido em parceria com os músicos/bandas: Alann Marino, Alforria, Arlindo Lima, Carlinhos Veiga, Claudio Martos, Diego Venâncio, Eduardo Mano, Elen Lara, Elly Aguiar, Fabinho Silva, Ivan Melo, Joede Cruciti, Nando Padoan, Sacrifício Vivo, Saulo & Renata Calantone e Tiago Vianna.

Ficha técnica
Cada faixa deste CD foi gentilmente cedida para este projeto, sendo gravadas , produzidas, mixadas, produzidas e masterizadas por diferentes profissionais e músicos.
Para maiores detalhes da produção de cada faixa, entre em contato com o respectivo músico/banda.
Arte e design: Cleber Gossi – http://www.gossidesign.com.br/cleber@gossidesign.com.br
Fotos: Fernanda Lopes – dinhalopes@hotmail.comhttp://br.olhares.com/fernandalopes
Músicos:
Alann Marino – alann.marino@bol.com.brhttp://twitter.com/Alannmarinohttp://alannmarino.wordpress.com/
Alforria – contatoalforria@gmail.comhttp://www.alforria.net/
Arlindo Lima – arlindo.lima@uol.com.br
Carlinhos Veiga – cveiga@terra.com.brhttp://www.carlinhosveiga.com.br/
Claudio Martos – claudio@buenaonda.com.brhttp://www.buenaonda.com.br/
Diego Venâncio – diegovenanciosilva@gmail.comhttp://diegovenancio.blogspot.com/
Eduardo Mano – eduardomano@gmail.comhttp://www.eduardomano.net/
Elen Lara – elenlararocha@gmail.comhttp://www.elenlara.com.br/
Elly Aguiar – elly.aguiar@gmail.comhttp://ellyaguiarmusic.blogspot.com/
Fabinho Silva – fasilva_h@hotmail.comhttp://raizdumaterraseca.blogspot.com/
Ivan Melo – ivanmelo06@yahoo.com.brhttp://www.myspace.com/ivannogueiramelo
Joede Cruciti – joede.cruciti@gmail.comhttp://www.emporiocristao.com.br/
Nando Padoan – nandopadoan@hotmail.comhttp://www.myspace.com/nandopadoan
Sacrifício Vivo – gruposacrificiovivo@gmail.comhttp://www.sacrificiovivo.com/
Saulo e Renata Calantone – renata.calantone@yahoo.com.brhttp://duosauloerenata.blogspot.com/
Tiago Vianna – tiago@tiagovianna.comhttp://www.tiagovianna.com/

O blog MPB Santo agradece a todos os músicos envolvidos neste projeto, que Deus retribua a generosidade de cada um e continue a inspirá-los na composição e execução de novas canções!

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”
Colossenses 3:16

Baixe o CD MPB Santo – Volume 1, se possível imprima a arte, e distribua-o a um(a) amigo(a), não deixe de citar e prestigiar os músicos que participaram deste projeto!

Incentivo que você, após baixar o material, comente no post que o Cleber escreveu no MPBSanto. Iniciativas assim precisam ser incentivadas e parabenizadas.

Um abraço e boa música!

Eduardo Mano