Mais mudanças

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Parece que de tempos em tempos eu apareço aqui pra falar de novidades. E o que há em nosso futuro, meu e da Eline, é aquilo ao qual nós já estamos quase que acostumados: mais mudanças.

Como há muito tempo eu não escrevo um post em bullet-points, vamos a elas:

• Eu e Eline estamos voltando ao Rio de Janeiro. As coisas em Manaus foram ótimas (e ainda estão sendo). Temos amigos queridos e uma igreja que amamos (e que nos ama de volta), mas sentimos que Deus está nos chamando de volta ao Rio para nos aproximarmos novamente de nossas famílias e para retomar uma parte do ministério que deixamos de lado enquanto estivemos aqui, o de visitar e ministrar em outras igrejas. Por isso, estamos voltando para casa outra vez. #LuluSantosFeelings
 
• Com isso, já temos algumas saídas e viagens agendadas para o segundo semestre. Em breve eu coloco as datas por aqui.
 
• Outra coisa é que eu vou retomar com um pouco mais de seriedade a questão do ministério e das ferramentas que temos utilizado para a propagação da palavra de Deus. Vamos voltar com os pôsteres, e eu devo fazer uma tiragem (mesmo que pequena) dos CDs. Mais informações em breve.
 
• Caso você queira agendar uma ida nossa a sua igreja, nos escreva ou mande uma mensagem pelo facebook.
 
Um forte abraço!
 
Eduardo Mano

Prega a Palavra!

κηρυξον τον λογον

κηρυξον τον λογον. Estas palavras, em grego, querem dizer “Prega a Palavra”, e são parte das últimas palavras de Paulo ao jovem pastor (e seu discípulo) Timóteo. As encontramos em 2 Timóteo 4:2.

Muitos de vocês sabem da minha caminhada. Sou músico, estudei teologia, e faço música para o ensino, exortação, conforto e para auxiliar, de alguma forma, a Igreja de Cristo na comunhão com o Pai. É claro que nem sempre tenho sucesso em minhas tentativas, mas creio que Deus tem abençoado.

Digo isto tudo pois hoje eu estava refletindo na porta que Deus abriu para mim aqui em Manaus, mas em outra área, na qual eu sou bem deficiente: a pregação. Eu pregava quando morava no Rio, mas eu era chamado quase que exclusivamente para tocar. Aqui, o inverso aconteceu. Embora eu dirija o louvor dominicalmente na igreja onde sirvo, os convites de outras igrejas têm sido para levar a Palavra e não a música.

Digo Palavra com P maiúsculo pois quero crer que o que tenho feito até agora é levar o Evangelho de Cristo. Como Paulo diz aos Coríntios, “nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”. pregar minhas próprias ideias não levariam à transformação de ninguém: apenas a pregação de Cristo e sua obra redentora, com o auxílio do Espírito Santo, é que podem transformar vida daqueles que ouvem a mensagem.

Voltando à frase em grego lá em cima – κηρυξον τον λογον -, durante anos da minha vida ela foi presente nos meus dias. Quando morei e estudei (e depois trabalhei) no Seminário Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro, eu lia essa frase, em voz alta, quase que diariamente ao passar pela Capela (que tem a frase escrita baixo da torre). Ao estudar teologia, entendi que não há como pregar a palavra sem o Λογος, o Verbo Encarnado, Jesus, digno de toda Glória. Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11:36), e a pregação da Palavra deve ser para Glória Dele.

Enquanto mais uma vez me preparo para pregar a Palavra, penso que é com temor e tremor que o faço. Eu, pecador imundo e inútil, falarei a respeito daquilo que é mais doce que o mel, que é perfeito e refrigera a alma. Que Ele, em sua misericórdia, use meus lábios, e também os de todos os meus amigos que foram chamados para pregar o Evangelho.

Que a Paz de Cristo seja conosco!

Eduardo Mano

Quando nem tudo vai bem

Às vezes passamos por momentos não muito agradáveis em nossas vidas. Momentos que nos fazem questionar tudo aquilo que é importante para nós: nossos motivos, nosso chamado, nossa fé. Horas se tornam dias e depois semanas, e tudo o que você tem dentro de si é uma grande inquietação e um vazio que parece que não vai embora.

Eu achei que já tinha passado por este momento. Até escrevi sobre ele (caso queira, pode dar uma lida aqui). E embora não queira me alongar nos motivos que me levam a escrever este novo texto, vejo claramente, hoje, que aquilo que passei 4 anos atrás não tem comparação ao que enfrento hoje.

De qualquer forma, escrevo pois sei que há outros que passam pelo mesmo que eu, variando, imagino, alguns “sintomas”. Maior ou menor desânimo, maior ou menor irritabilidade, maior ou menor falta de fé… e se, como no meu caso, tais momentos chegam a afetar a saúde, aí já passou da hora de procurar ajuda mais qualificada.

Gostaria de escrever alguns pontos que têm me ajudado no que tenho passado, e espero que sejam de ajuda para quem lê o que escrevo, como sei que minhas músicas têm servido de ajuda para tantas pessoas.

– Talvez haja um culpado pelo quê você está passando no momento. No meu caso em parte há / havia, e já foi iniciado um processo de perdão e reparação. Se esse for o seu caso, é possível que você precise iniciar algumas conversas, ou colocar isso diante de Deus. Caso você saiba que tem culpa no “momento ruim” de alguém, por favor, não tarde em ir até a pessoa e pedir perdão e fazer o que for necessário para auxiliar no processo de cura. A palavra de Deus nos diz que ao confessarmos nossos pecados uns aos outros nós somos curados (Tiago 5.16). Creiamos nisso.

– Você não está sozinho. Apoie-se em seus amigos. A maior tentação nestes momentos em que nos sentimos a escória do mundo é a de acharmos que estamos sozinhos e que ninguém nos entende. Bem, isto é mentira. Dependendo do nível de decepção que tenhamos sofrido, nossa vontade é de abandonar o convívio com todos os seres viventes e virarmos ermitões (no meu caso, a barba eu já tenho), mas essa é uma atitude extremamente danosa. Estar com pessoas que nos amam (pais, amigos, parentes…) ajuda no processo de cura. A Bíblia nos ensina em Provérbios 17. 17 que “Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão.”

– Se for necessário, busque ajuda médica. Por favor, deixe toda baboseira triunfalista de lado e entenda que Deus pode e de fato atua através de médicos e doutores ao redor do mundo. Foi Ele que deu a eles conhecimento, e foi Ele que deu capacidade ao homem para desenvolver remédios que restituem equilíbrio ao corpo. Deus age desta forma pois pode agir assim. Ele também pode agir de forma miraculosa, claro, mas confie na sabedoria que Ele concede aos homens. Eu precisei buscar ajuda médica e fui beneficiado (e ainda precisarei de alguma ajuda).

– Embora às vezes pareça, Deus não nos abandona.  Acho que esta é a frase mais difícil que já escrevi. Nas últimas semanas tenho questionado muito. A Deus, ao meu chamado, minha fé. Passamos um tempo com um pastor amigo nosso aqui na cidade, e uma das coisas que ouvi foi: Deus aguenta meus questionamentos. Ele é Deus, e eu não sou (algo que me soa extremamente familiar, não é mesmo?). Deus já aguentou muita coisa do homem, inclusive o pecado, e pode aguentar meus questionamentos. Eu é que não aguento viver sem Ele. Outra coisa que ouvi é que este é um tempo em que vou colocar (novamente) todas as minhas músicas em prática. É verdade. A cada dia, uma delas fala algo comigo.

Há coisas que acontecem em nossa vida sem esperarmos. Mas quando nem tudo vai bem, é imprescindível lembrarmos que há Verdades maiores que nós. Velhas Verdades. Verdades Eternas.

Que Deus nos ajude a cada passo do caminho.

Eduardo Mano

O Comércio e o Evangelho

Antes de mais nada, eu vendo CDs. Como vocês já estão carecas de saber, eu os disponibilizo para download gratuito aqui no blog e no facebook, mas quando vou nas igrejas tocar, levo algumas unidades do CD físico e o vendo por, em média, 12 reais. Não exijo que ninguém o compre (na verdade, eu SEMPRE aviso a todos que podem baixar o trabalho gratuitamente).  Mesmo assim, a venda do CD me constrange (pergunte a qualquer um que toca ou tocou comigo se isso não é verdade). Me constrange pois creio que canto o Evangelho, e o Evangelho não deveria ser vendido, mas sim distribuído gratuitamente a TODOS – e estou tomando providências para corrigir isto. Além disso, a Virá lançou uma camiseta com a ilustração da letra de uma de minhas músicas, mas até sobre isso já tomei providências. Com isso prossigo, sabendo da culpa que carrego.

Nos últimos dias fomos informados pela “salutar” indústria gospel que um artista lançaria uma linha de bonecos com seu nome. Além disto, uma “bispa” e um “apóstolo” lançaram, respectivamente, suas linhas de cosméticos e perfumes. Não são poucos os produtos que carregam o nome de pastores e líderes ou a marca de algum ministério. Não me refiro a livros, que em muitos casos trazem conhecimento ao povo. Falo de linhas de produtos pessoais que tem por único motivo de existência o enriquecimento de empresas e “personalidades” que, não se importando com aqueles que os seguem, insistem em arrancar deles até o último centavo.

Eu tenho andado muito preocupado com o rumo que as coisas têm tomado. Simplesmente pelo fato de ver muito do humano em tudo que o mercado tem produzido, e pouco do espiritual, do sagrado, da água viva. Se vivemos o Evangelho, vivemos para a glória Daquele que dizemos servir. Não para a nossa glória. Não para o nosso enriquecimento.

O salmo 69 diz, no verso 6, o seguinte: “Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, DEUS dos Exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel.” Nosso caminhar é determinante para a pregação do Evangelho – nossa vida deve ser uma extensão daquilo que falamos, cantamos e pregamos. Se pregamos a Cristo, e este, crucificado (ou seja: morreu por nós a nossa morte), como podemos nos atentar a coisas tão mundanas, e distrações tão infantis? Temos servido de escândalo e pedra de tropeço a muitos de nossos irmãos na fé, e isso é motivo de pranto, não de júbilo.

Nosso tempo na terra não é longo, é curto. Nosso tempo aqui é de semear o Evangelho de Cristo e trabalhar para a expansão de Seu Reino; não é um parque de diversões. Literalmente há vidas que precisam de nós, mas estamos muito ocupados com nossos guarda roupas, nossos carros novos, nossa vontade de compartilhar a aquisição de bens, gadgets, coisas. E fazemos isso dizendo que Deus nos abençoou. Mas na hora do aperto, esquecemos de dizer que Deus também nos tem abençoado com perseverança para aguentar os tempos ruins. Não queremos compartilhar a simplicidade do Evangelho.

Precisamos mudar nossa postura e nosso caminho. Quem de nós pode dizer como o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11:1, “tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo”? Não nos esqueçamos que até o apóstolo Pedro foi repreendido por agir de maneira diferente a qual pregava, em Gálatas 2. Estamos com os bolsos tão cheios de moedas, que somos obrigados moralmente a compartilhar isso com os que precisam. Mas o que temos feito? Enriquecido. Engraçado que o poder de Deus foi manifestado através de Pedro e João justamente quando seus bolsos estavam vazios, como lemos em Atos 3 (leia o texto todo no link): “Disse Pedro: ‘Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande‘”. Reparem bem: “o que tenho, isto lhe dou”. Se eles tivessem moedas, dariam moedas. Se o seu bolso está cheio delas, dê delas. Mas quando estiver vazio, dê o próprio Cristo. Algumas celebridades gospel têm os bolsos tão cheios que não dá pra entregarem a Jesus, e muito menos as moedas.

Cristo é mais glorificado em nós quando nossa satisfação é Nele, e não em produtos.

Que Ele nos corrija, a fim de O servirmos da melhor forma possível.

Graça e paz.

Eduardo Mano

Mudanças

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.” Gênesis 12:1

Embora a minha barba profético-patriarcal faça com que vira e mexe alguém me chame de alguma figura veterotestamentária, esta é a primeira vez da minha vida em que um texto assim, tão específico, reverberou tão forte no meu coração. Sai da tua terra, da tua parentela.

Como vocês já sabem, e se não sabem, saberão agora, eu e Eline estamos nos mudando, de mala e cuia (e caixas, muitas delas) para Manaus, onde serviremos na equipe ministerial e pastoral da Primeira Igreja do Evangelho Quadrangular da cidade. É uma igreja antiga, com pensamentos novos, e muitos desafios pela frente. Sentimos paz em Deus ao aceitarmos o convite, e a partir de 29 de dezembro próximo, seremos habitantes de Manaus.

Não vamos trabalhar com índios e nem vamos morar na floresta, mas nem por isso o trabalho é menor ou fácil. Após 5 anos de ministério itinerante, volto a trabalhar fixo em uma igreja, onde farei não só a parte de música, como também de comunicação e design. Estou muito feliz com isso.

E o que vem agora?

Ministerialmente, muito trabalho. Só que lá, na igreja. Não estaremos viajando para outras igrejas por algum tempo. Musicalmente, tenho planos (que cabe a Deus confirmar ou não) de gravar algumas coisas no ano que vem.  Como família, é um momento muito novo para mim e para Eline, então Deus ainda vai falar muito, como tem falado nos últimos meses.

Faltam apenas 5 dias para a nossa mudança, e peço a você, que tem acompanhado meu ministério até agora, que ore por nós. Que ore por mim e por Eline, neste novo tempo. Que ore por nossas famílias, de quem estaremos distantes. Que ore pela PIEQ Manaus, onde serviremos, para que possamos suprir aquilo que for necessário, e que possamos absorver aquilo que for necessário.

Em meados de janeiro o blog deve voltar com mais força.

Um abraço,

Eduardo Mano

Abandono

Eu já fui melhor nessa coisa de blog. Na época em que eu trabalhava pouco. Bons tempos, aqueles. 🙂

Brincadeiras à parte, eu sempre penso em coisas para postar por aqui, mas elas acabam caindo em algum lugar do “fica pra depois” que nem eu mesmo sei bem onde. sei que ainda vai demorar um tempo até que eu consiga retornar a algum tipo de normalidade por aqui, mas de qualquer forma, queria avisar que não, eu ainda não morri.

É isso, por enquanto.

Um abraço a todos!

Eduardo Mano

O Rock na Argentina

Uma das coisas que me impressiona aqui na Argentina (além dos alfajores, das carnes, a arquitetura, da beleza do país, etc…) é a força que o Rock tem entre a juventude, e não apenas entre a juventude, já que qualquer pessoa com mais de 35 anos é fã do estilo. Sei disso por dois fatores:

1 – Há mais rádios tocando rock na cidade de Buenos Aires do que se pode acompanhar. E por rock, eu me refiro a rádios especializadas em rock dos anos 60, 70, 80, 90 e do novo Rock. Ainda se compra muito disco por aqui (vinil e CDs), e nas lojas, há vasta publicidade (em catellano) para os novos lançamentos de bandas de rock (e poucos para bandas de pop). O clube The Cavern (se não conhece, joga no google) abriu sua primeira filial fora da inglaterra aqui, onde há também um museu dos Beatles e onde, duas vezes por semana, há shows com bandas cover dos Fab Four.

2 – Há GRANDES shows de rock no país, todo ano. Claro que os mesmos (quase) sempre passam pelo Brasil. Mas apenas a título de exemplo, Roger Waters, ex-líder do Pink Floyd, em turnê mundial com o espetáculo The Wall, agendou 8 shows em Buenos Aires (contra uma no Rio, duas em SP e um em Porto Alegre). Há uma semana, aconteceu o festival Quilmes Rock ’12, que contou com Foo Fighters, Joan Jett, Band of Horses e Arctic Monkeys (dentre outros, como MGMT e Crosses). Eu, é claro, não fui em nenhum deles. 😦

Ontem eu e Eline fomos até uma avenida que, há anos, é conhecida por suas lojas de livros e discos usados (por falar nisso, ano passado Buenos Aires foi escolhida como a “Capital Mundial do Livro“. Seria possível passar dias nas lojas, conhecendo os acervos, pesquisando bons preços e títulos difíceis de se encontrar. Encontrei antigas edições de revistas de rock espanholas e inglesas (RIP, Kerrang, entre outras), inúmeros livros sobre músicos de rock e bandas, escritos por autores argentinos e, claro, traduções. Por onde quer que andávamos, e a cada loja que entrávamos, a música que nos recebia era o bom e velho rock (passando por Janes Joplin,  The Clash e Arcade Fire).

Só para deixar bem claro, este post não tem por intenção dizer que a Argentina é melhor que o Brasil. São países extremamente diferentes. Achar que, pela proximidade, vir ao país conta como uma ida a um estado brasileiro é um erro BEM bizonho. Primeiro porque se você tenta falar com eles em português você vai levar uma risada na cara (mentira, eles são bem educados). Segundo  porque é só pisar aqui pra ver que tem algo diferente. Mas não é melhor que o Brasil.

Ah, detalhe: aqui também toca Gustavo Lima, Michel Teló e Axé. Para o meu desespero, embora em quantidade infinitamente menor que no Brasil.

Este post foi escrito ao som de uma rádio argentina que tocou: Sisters of Mercy, Kings of Leon, alguns rocks argentinos que não conheço e Queen.

Hasta luego!

Eduardo Mano (sobrenome que não faz sentido nem no Brasil nem na Argentina)