Reflexões pós sermão

No último domingo, preguei na igreja na qual congregamos, a Presbiteriana do Bairro Imperial, em São Cristóvão. O texto foi Lamentações 5.1-7. Foi um daqueles sermões pregados primeiro para mim mesmo. Dele, tirei três pontos de aplicação. Talvez a leitura do texto e as aplicações não sejam instantaneamente relacionáveis, pois… bem, teve um sermão inteiro entre ambos. Mas de qualquer forma, gostaria de deixar as aplicações aqui, ma esperança de abençoar alguém.

Deus está atento às nossas orações e petições. Ele ouve. Isso é diferente de termos uma resposta rápida ou mesmo qualquer resposta para as nossas petições. Mas em uma aplicação rápida, assim também funciona em nossas famílias. Não deixamos de amar nossos pais simplesmente por termos ouvido um não. Quanto mais a Deus.

Nossas aflições são momentâneas. Terão um fim. Algumas durarão dias, outras, meses, e ainda outras, anos. Para alguns, durarão todas as suas vidas. Mas certamente terão um fim, seja aqui nesta terra, seja no encontro com Cristo, nos céus. Essa perspectiva deveria guiar nossas vidas. Nosso encontro com Deus é certo, e Ele prometeu que na Cidade que preparou para nós, não haverá nem choro, nem dor, nem morte.

Mesmo na feiura do mundo após a queda, Deus mantém o controle de tudo. Ele está assentado em Seu alto e sublime trono. E é Ele mesmo que provê a graça necessária para vivermos neste mundo caído. Lembram-se de nossos pais, lá no jardim, após comerem do fruto? Deus manifestou sua graça a e misericórdia sobre eles já naquele momento. Em Gênesis 3.21, lemos que Deus lhes fez túnicas antes de lançá-los fora do Jardim. Se Deus tivesse prazer em simplesmente expulsá-los, Ele não teria agido desta forma. Sua Graça se manifesta neste mundo caído.

Que nossas vidas tenham sentido por esta Graça.

Que Ele nos abençoe.

Somente a Deus a Glória.

Quero Trazer à Memória

São 2h da manhã e não consigo dormir. Já passei por isso antes, embora por questões diferentes (assim espero). O fato é que a “vida” tem trazido não apenas limões, mas todo o hortifruti, e fazer com que tudo caminhe com certa tranquilidade não tem sido tarefa fácil. Alguns dias são melhores que outros, e infelizmente este é um dos piores. E o calor do Rio de Janeiro não ajuda.

No próximo domingo eu levarei a mensagem na Igreja onde temos congregado. O texto a ser pregado é o de Lamentações 5.1-7, mas o contexto me obriga a passar por Lamentações 3.21. “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança”.

Um dos exercícios que fiz neste início de madrugada foi ler algumas postagens antigas aqui do blog. Encontrei o post que escrevi no dia em que gravamos as faixas que comporiam o Canções para Grupos pequenos. Também encontrei uma postagem alusiva ao dia anterior à derrota do Fluminense para a LDU (na verdade o Flu ganhou a partida, mas não foi suficiente para reverter o resultado) na Final da Libertadores de 2008.

A vida é feita de momentos que, eventualmente, nos permitem enxergar o quadro todo. Mas enquanto vivenciamos estes momentos, o que vemos é a parte. Nem sempre a parte é agradável. Por exemplo: encontrei uma postagem do dia em que fui demitido de um antigo emprego. Por outro lado, encontrei, a postagem do dia em que entrei no meu atual emprego (18 de outubro de 2008).

Seis meses separaram as duas datas, e muita coisa aconteceu no meio tempo. Momentos. O grande quadro foi visto apenas depois. O que quero dizer é: enquanto peregrinos, nossa função é rumar à cidade que nos foi prometida. E esta caminhada, amigo, leva tempo. Para alguns, mais tempo do que para outros, mas ainda assim, é tempo. Por isso é importante ter em mente o que pode trazer esperança.

Lamentações 3 é um bom companheiro nestas horas da madrugada, sozinho. Em determinado momento, o texto nos diz assim:

Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.
Que se assente ele, sozinho, e fique calado, porquanto Deus o pôs sobre ele.
Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.
Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.
Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
Embora entristeça a alguém, contudo terá compaixão segundo a grandeza da sua misericórdia.
Lamentações 3:27-32

Que coisa mais doida! Parece até que o texto está falando comigo!

E quem disse que não está?

Preciso deste exercício: trazer à memória o que pode dar esperança. Lembrar que Deus tem o controle sobre tudo, inclusive sobre qualquer jugo. Saber que Ele terá compaixão segundo a sua misericórdia. E lembrar que Cristo, o homem de dores, caminha comigo em qualquer sofrimento, pois Ele mesmo experimentou isso aqui.

Se a vida te dá um hortifruti, faça uma salada de frutas. Tá complicado, e quase impossível, administrar tudo o que está vindo, mas a Palavra de Deus me lembra que todas as coisas, mesmo as ruins, cooperam para o bem dos que amam a Deus.

E como um grande amigo escreveu há muitos anos atrás, “no fim das contas, tudo se explica, tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem”.

“Quando se vê pelo lado certo, todas as cores da minha vida dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro”.

A Ele toda a honra, mesmo que em lágrimas.

Eduardo Mano

Novo velho EP

Há alguns dias eu publiquei no Instagram que havia encontrado fotos e as gravações que fizemos há 6 anos atrás. Era o EP Mais Vale um Dia Vale Mais. Foi o último registro que fizemos como banda completa, e esse material ficou esquecido por anos. Por muito tempo, pensei que era necessário mandar as faixas para alguém qualificado editá-las, e deixei o CD para lá. pensava que não poderia realizar este trabalho.

Pois bem, pensava.

Como vocês sabem eu sou mexedor de áudio, e conversando com um amigo, me propus ao menos tentar. Certamente o resultado será diferente do que seria obtido tendo um profissional mexendo nas faixas, mas imaginei que, se já fiz isso uma vez, poderia fazer novamente.

Bom, são 4 faixas. Já falei sobre elas anos atrás, mas como durante esse tempo algumas foram usadas, vale o registro.

• Fonte és Tu de Toda Benção – Hino clássico que tocávamos muito antes do período de 2008 para cá. A versão do EP é uma releitura do hino, com a linha melódica reescrita. Creio que lancei uma versão desse material em voz e violão no Soundcloud em algum momento da minha vida.

• Refúgio Inabalável – Era para ter sido a estréia da música, mas acabei lançando uma versão dela no Ergo Meus Olhos. De qualquer forma, creio que esta versão será mais interessante, com banda.

• Uma Nova Canção – Outra que lançamos pouco depois da gravação, sem maiores mexidas. Esta música está originalmente no Canção para Grupos Pequenos, e esta versão, para mim, é a definitiva. À época, achávamos que ela tinha um quê de Sigur Rós. Creio que estávamos errados.

• Tua Graça, Senhor – Acabei gravado esta música no Voz Como o Som de Muitas Águas, e gosto muito daquela versão. Esta é um bocado diferente, mas  basicamente por conta dos elementos. Há alguma diferença nos arranjos, mas nada absurdo.

Estou tão animado com ele agora quanto estava animado com ele no dia em que o gravamos. Foi um dia muito especial. Estávamos entre amigos, com gente amiga participando do processo. Foi uma pena o material ter ficado tanto tempo esquecido, mas espero que essa redenção dele sirva para os propósitos eternos de Deus.

“Mas Eduardo, como lançar músicas que já haviam sido lançadas podem servir aos propósitos eternos de Deus?”

Bem, meu caro amigo irônico, das seguintes formas: há pessoas que não conhecem ainda as versões originais destas músicas, e podem ser abençoados por elas, por sua mensagem. Há pessoas que por não gostarem do formato em que foram lançadas originalmente não deram atenção a elas naquela época, e que agora, com esta roupagem, podem ser abençoadas. Há pessoas que gostaram das versões originais e foram abençoadas por elas, mas por serem antigas, já não as ouvem mais. O interesse em ouvir estas novas versões pode abençoá-las com aquilo que, um dia, já foi benção.

É tudo Dele, por Ele e para a glória Dele.

Soli Deo Gloria

eduardo

Sabia que o disco novo tem encarte?

Os tempos são outros. Quando eu era novo e comprava LPs (antes, muito antes do recente revival que o vinil experimentou), o grande barato (gíria de velho) era colocar o disco para tocar e acompanhar as letras no encarte, grandão, que acompanhava o disco. Anos depois, com o CD, o impacto não era o mesmo mas o ritual seguia: CD no player e encarte (pequenininho) na mão.

Mas hoje temos o Spotify, Deezer, Apple Music e outros. Como ficamos nós, os da velha guarda?

O Ergo Meus Olhos é o primeiro disco que lanço sem mídia física. Gostaria de dizer “por enquanto”, mas creio que esta decisão será definitiva. Só que, paradoxalmente, este foi o disco no qual mais trabalhei para ter um encarte digno. Acontece que, como poucos baixaram o MP3 do disco (que está aqui), quase ninguém sabe deste encarte. Por isso, usei a tal da tecnologia e fiz o upload do arquivo no issuu. Segue o livreto aí em baixo. E dá pra baixar – aviso para os que queiram.

Espero que gostem!

Eduardo Mano

Lançamento – Ergo Meus Olhos

Bem amigos… eis que chegou o dia. Hoje é o lançamento do meu novo disco, Ergo Meus Olhos. .

Vocês já sabem o roteiro. Tem download grátis do disco? Tem. Está nas plataformas de streaming? Está*. Tem encarte maneiro com letras, fotos e textos? Claro! Tem hino? Sim! Eu canto com minha esposa? Óbvio!

https://open.spotify.com/embed/album/77D4XKUfKGxpOWqjR05KSr

Algumas palavras são necessárias.

Este é meu disco mais “estranho”. Tenha isso em mente. O disco é um lançamento da FlorCaveira, com produção do Tiago Cavaco e com um trabalho lindo de mixagem e masterização do Max Folgado. Mano, Cavaco e Folgado. Se esse não for o disco com o maior número de sobrenomes diferentes já lançado no mundo, por favor, me digam qual é. Mas voltando à estranheza.

Ninguém espera de mim uma mega-produção fonográfica. Mas neste disco, os padrões de gravação são da FlorCaveira. Tudo foi gravado ao vivo (eu toquei e cantei ao mesmo tempo). Não fizemos overdubs (ou seja, não regravamos nada) e as faixas têm suas determinadas sujeiras.

As letras talvez sejam as mais congregacionais que já lancei. Fico feliz em escrever isto.

Como sempre, minha oração é que estas faixas sirva para a glória de Cristo e para o crescimento espiritual do povo de Deus. Se Deus permitir assim, está ótimo.

Se você gostar, compartilhe.

Um abraço, e que nosso Deus seja glorificado.

Eduardo Mano

Distrações e o trabalho para a Glória de Deus (ou Como o FIFA Mobile roubou meu tempo)

Recentemente comecei a refletir sobre aquilo que consideramos como “tempo livre”. Quando você é pai, tempo livre se torna um conceito bem abstrato. Minha esposa que o diga. Encontrar algum momento onde possamos distrair nossa mente daquilo que tentamos equilibra ao longo do dia parece algo inimaginável. Tempo livre, muitas vezes, é o que chamamos os poucos minutos que temos desde o momento em que nossa filha dorme até o momento em que nós vamos dormir.

Além disso, como designer autônomo, após passar o dia no trabalho muitas vezes chego em casa para o 2º tempo: projetos de clientes particulares ou pequenos freelances que preciso entregar. Eu não deveria dar muito espaço às distrações, mas infelizmente elas roubam minha atenção mais do que deveriam.

Uma das minhas distrações prediletas é o futebol. Além de acompanhar o time pelo qual eu torço, acompanho os campeonatos internacionais e o mercado de jogadores. Creio que esta até seja uma distração saudável, não gasto muito tempo com isso além de assistir às partidas televisionadas e ler alguns artigos. Mas há algo relacionado a este universo que realmente rouba meu tempo. Jogos de futebol.

Não tenho nenhum video-game. O último console que tive foi o Playstation 2, comprado usado por R$150,00 com 30 jogos e vendido pelos mesmos R$150,00 alguns meses depois. Isso em 2012. Mas a franquia FIFA Soccer sempre foi minha favorita, e tive as versões mobile desde o primeiro lançamento para Android, o FIFA 13. De lá para cá foram horas e horas gastas no jogo. Mas a coisa piorou no ano passado.

8 dias após o nascimento da minha filha, foi lançada a última versão do jogo, o FIFA Mobile. É um jogo realmente viciante. Além da aquisição de jogadores para montar o time dos sonhos, há ainda a disputa por pontos e prêmios que te obrigam a gastar tempo no jogo diariamente. E era o que eu estava fazendo. O jogo roubou meu rendimento no trabalho em casa, roubou horas de sono, roubou até meu tempo com Deus. Passava mais tempo jogando do que lendo a Bíblia nestes últimos meses. Fazia intervalos à noite, enquanto trabalhava, para jogar “apenas uma ou duas partidas”, e perdia 30, 40 minutos no jogo. Tempo que não volta, leituras que não voltam, sono que não volta.

Há alguns dias entendi que esta distração estava me impedindo de viver e trabalhar para a Glória de Deus plenamente. O jogo em si não é mal – futebol não é mal! Mas a forma como este aplicativo consumia meu tempo, isso era mal. Tornou-se um vício. Decidi apagar o aplicativo para ter menos distrações e mais tempo produtivo com aquilo que importa. Compor, tempo devocional, escrever, trabalhar com mais foco, dormir um pouco mais. Mesmo que o jogo nunca tenha roubado meu tempo com minha esposa e filha, ele roubava meu tempo com Deus, o que ainda mais grave. Se eu só posso ser um marido e pai correto através da entrega irrestrita da minha vida ao senhorio de Cristo, como posso negligenciar meu tempo com Ele?

Um texto que sempre me impactou é o Salmo 127. Tanto que escrevi uma música tendo ele como base. Mas passando da parte da edificação da casa, tem algo que é muito especial e que sempre teve um gosto agridoce para mim: o verso 2. “É inútil que madrugueis, que tarde repouseis, Que comais o pão de dores: Aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” Deus valoriza muito o descanso (o relato bíblico da criação nos ensina isso de forma estupenda) e o sono. Os Salmos 3, 4 e 127 deixam isso bem claro, mas o 127.2 é especial. E sinto que, ao estender meu dia e reduzir meu sono, estou perdendo algo muito grande, seja o descanso ou aquilo que Deus quiser dar.

Distrações não são necessariamente más. Mas somos responsáveis pela forma como as utilizamos, pelo tempo que empregamos em coisas fúteis. Assistir a um jogo do time que torcemos não é algo necessariamente ruim, mas não tenha dúvida: deixar de passar tempo com Deus para gastar com jogos, é. O mundo não entende isso, mas é. E nós, adultos, que cremos sermos senhores do nosso tempo, somos responsáveis pela forma como o gastamos. Deus é infinitamente melhor do que montar um time com Reus na ponta esquerda, Hazard no ataque e Di María na ponta direita.

Paternidade e Dependência

Escrevi o texto abaixo em 10 de novembro do ano passado. Sarah tinha 1 mês e uma semana e ainda tínhamos problemas com a hora de dormir. Achei o texto hoje e pensei em compartilhá-lo com vocês.

Escrevo este texto enquanto assisto (ou tento assistir) ao filme Gladiador. Devo ter visto este filme uma dezena de vezes, inclusive no cinema, à época do lançamento. Foi o filme que me apresentou ao ator Russell Crowe, de quem tornei-me apreciador. Mas não é esse o ponto.

Esta é a primeira vez que assisto a esse filme enquanto cuido de Sarah, enquanto ela dorme. Ou tenta dormir, o que já é alguma coisa. E ao assisti-lo desta vez, reparei em uma fala do personagem principal – Maximus – que havia passado em branco das outras vezes. A frase, em tradução livre do inglês, seria essa:

“Bendito Pai, guarda minha esposa e filho com uma espada pronta”.

Achei curioso. Desde que Sarah nasceu, há uma frase em minhas orações que tem sido uma constante: “Senhor, guarda a Eline e a Sarah. Confio em Ti para isso, pois não sou capaz. Me dê capacidade para isso”. Não é um mantra, embora não passe um dia sem que eu ore isso, dentre outras coisas. É um reconhecimento de inaptidão. Há coisas que eu não posso fazer. Preciso, PRECISO entregar todas elas nas mãos de Deus, que detém todo o poder neste universo.

Este é um tema recorrente para mim. Eu já havia escrito algo nessa linha quando compus Casa na Rocha. Mas viver o dia a dia de uma casa com uma criança tão nova, tão indefesa e tão dependente, me leva a perceber o quão incapaz eu sou de prover tudo aquilo que elas – Eline e Sarah – precisam. Não é apenas o teto, o alimento, a cama: é também o sustento e liderança espiritual, a centralidade das Escrituras, e a demonstração do amor de Deus.

E como tenho falhado em muitos destes aspectos…

A paternidade fez com que eu entendesse aspectos de nosso relacionamento com Deus que, de outra forma, não seria possível entender. Vermos uma criancinha que precisa que façamos tudo por ela: o alimento, a higiene, o cuidado, a proteção, o carinho, o colo… olhar isso e não lembrar de tudo aquilo que Deus faz por nós sem nem mesmo que nós percebamos, seria ingratidão, no mínimo.

Assim, reconhecendo que da mesma forma que minha esposa e filha precisam de mim (e eu delas), sigo na certeza de que necessito do Senhor: de Seu amor, misericórdia e graça, para que possa prover para a minha casa. E também preciso que o Senhor guarde minhas queridas de formas que eu não posso.

Que esta lembrança constante seja um impulso para que eu O busque cada vez mais. E que vocês, amigos, também O busquem: talvez não para serem melhores pais… mas talvez para serem melhores filhos, maridos, esposas, e assim por diante.

Seja Cristo exaltado para sempre. Ele a Glória.